Opinião Álvaro Menezes (Saneamento - Brasil): Sinais de mudanças

06.12.2016

Alguns anos atrás e poucos anos antes do que acontece hoje, se dizia que o Brasil era uma potência emergente, o país do futuro e uma esperança exemplar de como se pode fazer o desenvolvimento de uma nação de forma sustentável.

 

Um pouco de tudo aconteceu, mas infelizmente a sensação que fica é de estar voltando ao ponto de partida de todos os sonhos, slogans e promessas. O ambiente político hoje também de certa forma disseminado no mundo globalizado e visto onde nunca se imaginou, passa no Brasil por uma tempestade que pode ser a perfeita tanto para abrir um céu azul infinito em toda sua plenitude ou completamente negro, instável e sujeito a trovoadas e raios permanentes.

 

Entretanto, como diz o dito popular, a vida segue com seus sucessos e insucessos. Que sinais de mudanças podem hoje mostrar que o Brasil pode ser ainda um país de futuro? Pode-se buscar no setor de saneamento um sinal de que tanto o governo em suas esferas federal, estadual e municipal quanto os prestadores de serviços públicos ou privados são exemplos de mudanças.

 

Uma notícia recente indicando que a capital do Piauí, estado nordestino, teve o processo licitatório para subconcessão dos serviços de água e esgoto em Teresina sequenciado e prestes a ter seu contrato firmado com uma empresa privada, é um sinal alvissareiro de que enfim superam-se preconceitos sóciais, econômicos, ideológicos, corporativistas e politiqueiros.

 

Apesar de ainda confuso pela forma com que foi e vem sendo divulgado, o PPI – Programa de Parcerias e Investimentos que incluiu o setor de saneamento como infraestrutura básica priorizada no plano de investimentos do BNDES, parece estar tomando consciência técnica do que significa o desafio de mudar modelos de gestão no setor de saneamento.

 

Um dos paradoxos brasileiros é a existência de dinheiro para investimentos em saneamento e ao mesmo tempo a permanente acusação de que falta dinheiro para investimentos. O FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço tem uma carteira de R$ 400 bilhões que podem fazer uma grande diferença.

 

Infelizmente o uso desse recurso sofre de constante falta de efetividade, porém sinais de mudanças também são reais hoje na medida em que entidades como a CNI – Confederação Nacional da Indústria consegue em conjunto com associações de operadores do setor e Governo Federal, apontar soluções para que o FGTS seja utilizado com competência e gere como resultado investimentos sustentáveis e melhoria da qualidade dos serviços. Assim, os sinais de mudança inclusive pelos resultados da lava jato parecem mostrar que há esperança e confiança no ar.  

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É segundo secretário nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2016 e sócio executivo da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi engenheiro e gestor público no setor de saneamento durante 30 anos na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas e na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento. É autor de livros, capítulos de livros na área do saneamento ambiental e colunista na imprensa brasileira.

TAGS: Opinião , Álvaro Menezes , saneamento , Brasil
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