Opinião Carlos Zorrinho (Energia): Solar - A Alemanha connosco

11.04.2017

Vão longe os saudosos tempos em que os que desejavam que Portugal, saído da Revolução de Abril, se integrasse em pleno no quadro de cooperação, desenvolvimento e democracia pluralista então propiciado pela CEE (Comunidade Económica Europeia) popularizaram o Slogan “a Europa Connosco”.

 

Nessa Europa de Jacques Delors, Willy Brand, Olaf Palme e Bruno Kreisky, entre outros, os então alemães ocidentais foram parceiros chave da consolidação democrática portuguesa.

 

Nos últimos anos, as incongruências na arquitetura incompleta da União Económica e Monetária têm colocado Portugal e a Alemanha em lados separados da barricada, uns esmagados pelos “deficits” induzidos pelos “superavits” dos outros. É por isso motivo de regozijo poder relevar domínios de parceria estratégica positiva entre Portugal e a Alemanha, replicando a parceria de sucesso no domínio industrial, há muitas décadas mantido e reforçado entre os dois países.

 

Vem tudo isto a propósito do encorajamento que na sua alocução semanal de 8 de Abril do corrente ano, a Chanceler Angela Merkel fez a Portugal e a Espanha para produzirem mais energia solar, ao mesmo tempo que reconhecia que as interligações elétricas entre a Península Ibérica e a França e partir dela com os restantes mercados europeus, é um problema e uma prioridade a ultrapassar no contexto europeu.    

 

Recorde-se que no plano da transição energética a Alemanha é um país de referência, que decidiu encerrar as suas centrais nucleares até 2022, tem dado grande prioridade ao desenvolvimento da mobilidade elétrica e tem metas ambiciosas de incorporação de energias renováveis no seu mix de produção e consumo, a qual aumentou 11% na última década posicionando-se agora nos 29%.

 

Estes números mostram que para além do incentivo à produção interna de energia solar, para cumprir as metas europeias e as suas próprias metas sem recurso à energia nuclear a Alemanha vai precisar de energia solar produzida na Península Ibérica. Merkel tem consciência disso e é uma poderosa aliada para que os Países Ibéricos possam finalmente romper o estrangulamento dos Pirenéus e afirmarem a sua vocação de grandes exportadores de energia renovável para os mercados do centro da Europa. 

 

Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002.

TAGS: Energia , opinião , Carlos Zorrinho , energia solar
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