Opinião Carlos Zorrinho (Energia): UE - A aposta nas Renováveis faz mais sentido que nunca

10.02.2017

A Comissão Europeia apresentou no dia 1 de Fevereiro o segundo relatório sobre o progresso das energias renováveis no quadro da União da Energia. O relatório demonstra que houve progresso, mas a uma velocidade de concretização que está longe de ser entusiasmante, e que deve ser claramente acelerada face aos novos desafios geoestratégicos com que nos defrontamos.

 

O início de funções da nova Administração Americana, marca também o início de uma nova matriz no relacionamento político e económico à escala global. Como tive oportunidade de afirmar no Plenário do Parlamento Europeu realizado no dia da divulgação do relatório, nessa nova matriz, a energia, quer pelo seu papel na competitividade económica e no bem-estar das populações, quer pelo seu impacto na sustentabilidade do planeta está e estará no centro da geopolítica e da geoeconomia global nos próximos anos.

 

A UE tem sido líder na transição energética e tem que continuar a ser, combinando eficiência, segurança e confiança, integração de mercados, investigação, inovação e investimento sustentado no desenvolvimento e nas infraestruturas. As energias renováveis são o foco diferenciador desta transição. Neste domínio são europeias 30% das patentes registadas ao nível global.

 

Em 2015, 28,3% da eletricidade produzida e 16,4% da energia final consumida na União Europeia foi proveniente de fontes endógenas e renováveis. Embora estes números sejam significativos, estão ainda muito longe das metas definidas no “Pacote de Inverno para a Energia Limpa”, designadamente com a meta que define que 50% da eletricidade deve ter origem renovável em 2030. No caso específico dos transportes, os 6% de energia renovável consumida em 2015 auguram um caminho difícil para concretizar a meta de 10% fixada para 2020.

 

Concretizar o novo quadro legislativo de forma integrada e sincronizada é fundamental para o seu sucesso da União da Energia. No que diz respeito à promoção das renováveis três pilares são determinantes, para a sua sustentada integração no mercado. Refiro-me à revisão da diretiva das renováveis, à aposta na descarbonização dos transportes e ao investimento em novas interconexões.

 

Estes pilares, associados à continuada aposta na investigação e na inovação, são a chave para que a UE continue o seu papel de liderança na transição energética, e use essa liderança para se afirmar no quadro geopolítico e geoestratégico que está a emergir da convulsão provocada por Donald Trump e pela sua agenda populista e de retrocesso no plano do ambiente, da qualidade de vida e do combate às alterações climáticas.


Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002.

TAGS: Carlos Zorrinho , opinião , energia , renováveis
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