Opinião Carlos Zorrinho (Energia): Verde por Natureza

31.10.2018

Num tempo de grande incerteza política na União Europeia, marcado pelo braço de ferro com a Itália, pelas difíceis negociações com o Reino Unido e pelas dificuldades da coligação de Governo na Alemanha e coincidindo no tempo com uma subida generalizada dos resultados políticos obtidos em toda a Europa por Partidos ecologistas, progressistas e europeístas (Verdes), as instituições europeias em geral e o Parlamento Europeu em particular têm vindo a desenvolver este inicio de outono uma agenda política alargada no domínio da sustentabilidade ambiental.

 

A revisão das diretivas da água e dos plásticos constituíram iniciativas marcantes e conduziram a um debate profundo e a medidas que se concretizadas permitirão melhorias claras no processo de gestão da água e na redução no uso de plásticos descartáveis, exigindo em simultâneo o aumento das taxas de reciclagem. As diretivas e regulamentos associados aos processos de mobilidade têm vindo a incluir normas mais estritas para reduzir as emissões nos transportes e promover soluções técnicas mais limpas e inteligentes e o nível de implementação do REACH foi objeto de avaliação. No próximo plenário de Estrasburgo será debatido e votado o acordo final obtido nos trílogos de negociação para a aplicação do pacote da energia / clima no horizonte de 2030 e 2050.

 

Ao mesmo tempo que estas e outras medidas no domínio da sustentabilidade sofreram progressos assinaláveis, o Parlamento Europeu aprovou também mandatos fortes de suporte à participação da União Europeia nas cimeiras do Clima (COP24) e da Biodiversidade (COP14), procurando salvaguardar o alinhamento das políticas em concreto com as metas e objetivos do Acordo de Paris.

  

Aproximam-se a passos largos as eleições para o Parlamento Europeu, agendadas para o final de maio de 2019, e com elas a mudança de um ciclo institucional. No plano político esta aproximação à meta, conjugada com a turbulência geoestratégica, tem provocado alguma desaceleração em processos urgentes de reforma do projeto europeu. No quadro da sustentabilidade ambiental, contudo, essa desaceleração não se tem feito notar. A prioridade verde tem sido respeitada. Por natureza e pela natureza.      


Carlos Zorrinho, eurodeputado do PS, membro da Comissão da Indústria, da Investigação e da Energia no Parlamento Europeu, é licenciado em Gestão de Empresas e doutorado em Gestão de Informação pela Universidade de Évora. Foi professor catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora, deputado à Assembleia da República pelo PS (1995-2002 e 2004-2014), líder Parlamentar do Partido Socialista na Assembleia da República (2011-2014) e, no Governo, ocupou as funções de Secretário de Estado da Energia e da Inovação (2009 e 2011) e secretário de estado Adjunto da Administração Interna entre 2000 e 2002.

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