Opinião de Álvaro Menezes (Saneamento - Brasil): Cenários olímpicos no Brasil

31.07.2016

Uma das coisas sobre as quais não se nega é que o Brasil é um país em eterna olímpiada. As provas são diárias e normalmente planejadas em cima da hora, decididas no mais das vezes de forma surpreendente. É o verdadeiro espírito brasileiro: cada dia com sua agonia e sua alegria!

 

O setor de saneamento está de novo no meio de provas olímpicas. Prefeituras seguem abrindo procedimentos de manifestação de interesse para contratação de PPP - Parcerias Público Privadas ou iniciam processos licitatórios para conceder os serviços para empresas privadas. As concessionárias estaduais mostram interesses mais fortes também em PPP, contratos de performance e, raramente, sociedades formais com empresas privadas para operar sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Os operadores privados, as grandes empresas do setor, enfrentam as dificuldades de obter financiamentos por causa da lava jato e lutam em busca de novos sócios, outras grandes empresas não envolvidas na lava jato, sofrem com a rigorosa burocracia para obter aprovação de novos projetos e financiamentos, já que agora a flacidez técnica de outras épocas foi substituída pelo medo que os agentes públicos tem de aprovar qualquer coisa, mesmo que seja algo que passou por todas as instâncias de análise.

 

Sempre haverá uma nova exigência de um zeloso técnico que coloca a linha de chegada sempre mais distante. Todavia os sinais podem ser promissores, pois o Governo Federal diz que quer agilizar procedimentos e apoiar o setor de saneamento para que a meta de universalização seja alcançada ainda antes de 2050 - previsão deste redator - com a adoção de um novo modelo de gestão para regulação federal do setor de saneamento.

 

Por enquanto, as mesmas promessas seguem sendo ditas e as proposições das entidades não governamentais, com poucas mudanças, repetem o mesmo do mesmo, requerendo em resumo o óbvio: que o Governo Federal seja mais eficiente na liberação de recursos e mais dedicado a buscar resultados reais que a dificultar a implementação de novos projetos. Pode ser que agora, salvo as interferências do poder judiciário trabalhista e dos sindicatos de urbanitários, os governadores e prefeitos tenham coragem de entrar nos estádios olímpicos para participar de provas que levem a busca permanente do máximo desempenho na qualidade da gestão dos serviços de saneamento.

 

Mais do que nunca é preciso encarar a necessidade inadiável de ter soluções, as quais pelo que se vê, estão distantes de serem encontradas por organizações públicas no mais das vezes. É preciso também competir sem medo ou vergonha de adotar o modelo de gestão que transforme as vaias ouvidas em aplausos porque enfim há serviços eficientes de água e esgoto para todos. Enfim, haverá sempre uma prova e uma raia específica para os participantes. É preciso participar!

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É segundo secretário nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2012 e sócio da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi gestor público no setor de saneamento durante 30 anos, ocupando na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas os cargos de diretor de operações(1989-1991) e comercial (2007-2008), vice-presidente de gestão operacional (2008-2010) e presidente (2011-2014). Na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento foi diretor técnico(1999-2006). Foi presidente do Conselho Fiscal da AESBE–Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais entre 2011 e 2014 e membro de conselhos de administração da CASAL (1987/1989 e 2011/2014) e da COBEL - Cia. Beneficiadora de Lixo de Maceió (1995/1999).

TAGS: Opinião , Brasil , Álvaro Menezes , saneamento
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