Opinião de Álvaro Menezes (Saneamento - Brasil): Poucos escolhidos, alguns eleitos

06.10.2016

Em 5.568 municípios disputaram as eleições municipais cerca de 16.000 e mais de 100.000 candidatos a prefeito e vereador respectivamente. O número de eleitores superou a cifra de 144 milhões de pessoas e para assombrar os prefeitos eleitos o número de votos brancos e nulos, em alguns lugares, superou com folga a quantidade de votos dada a muitos deles. Ou seja, os escolhidos em várias cidades não foram eleitos pela preferência da maioria.

 

De toda forma, os prefeitos assumem ou reassumem com o grande compromisso de fazer diferente para fazer melhor. Alguns falaram em suas campanhas sobre incentivo a privatização, apoio a PPP e prioridade para obras de saneamento básico.

 

A situação dos municípios no Brasil é sofrível quando se fala de saúde e educação. Em linhas gerais o custo da máquina pública é superior a capacidade de pagamento e não faltam exemplos de municípios de pequeno porte que sobrevivem a partir dos repasses originados da distribuição de impostos federais e estaduais.

 

Sobram desafios! Uma das questões cruciais hoje é tornar integrada a gestão de todos os serviços públicos nas cidades, o que leva a necessidade de ter Planos Municipais de Saneamento Básico para água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana elaborados ao mesmo tempo para que a gestão ocorra respeitando as características e complementos de cada um.

 

Quando se trata de água e esgoto, de certa forma até mesmo resíduos sólidos, ainda é possível considerar que há serviços regulares com o mínimo de planejamento e regulação. Porém, quando o assunto é drenagem urbana com inundações e alagamentos recorrentes a cada período chuvoso pouco se faz nas prefeituras.

 

Há muitos casos de comprometimento da drenagem natural com a retificação ou recobrimento dos canais existentes fazendo com que os eventos apenas mudam de lugar. Outra coisa relacionada com a drenagem e responsável por danos materiais, físicos e mortes de pessoas são os deslizamentos de terra que ocorrem nas chamadas áreas de risco.

 

Se os escolhidos não são os eleitos pela maioria, estes deveriam se motivar para mostrar que merecerão pelo menos uma revisão de seus conceitos dados pela população nas próximas eleições, trabalhando com afinco para que a saúde pública se torne seu objetivo principal com melhoria da qualidade de vida nas cidades a partir da implantação de sistemas de saneamento básico.

 

Álvaro José Menezes da Costa é engenheiro civil graduado pela UFAL (Universidade Federal do Estado de Alagoas) com especialização em Aproveitamento de Recursos Hídricos (UFAL) e Avaliação e Perícias de Engenharia (UNIP - Universidade Paulista). É segundo secretário nacional da ABES-Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental desde 2012 e sócio da GO Associados Consultoria Multidisciplinar, responsável pelo escritório Norte/Nordeste. É consultor independente na Álvaro Menezes Engenharia & Consultoria. Foi gestor público no setor de saneamento durante 30 anos, ocupando na CASAL-Cia. de Saneamento de Alagoas os cargos de diretor de operações(1989-1991) e comercial (2007-2008), vice-presidente de gestão operacional (2008-2010) e presidente (2011-2014). Na COMPESA-Cia. Pernambucana de Saneamento foi diretor técnico(1999-2006). Foi presidente do Conselho Fiscal da AESBE–Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais entre 2011 e 2014 e membro de conselhos de administração da CASAL (1987/1989 e 2011/2014) e da COBEL - Cia. Beneficiadora de Lixo de Maceió (1995/1999).

TAGS: Opinião , Álvaro Menezes , saneamento , Brasil
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