Opinião de António Bolognesi (Energia - Brasil): Energia solar no Brasil

15.07.2016

O Brasil é um país privilegiado com relação a incidência dos raios solares. De acordo com estudos para avaliação das taxas de insolação, as piores regiões do país possuem insolação maior que a melhor taxa de vários países da Europa. No entanto, por falta de estímulos e incentivos governamentais no passado, a energia produzida a partir da fonte solar representa hoje apenas cerca de 0,02% da Matriz Elétrica do Brasil.

 

Por outro lado, de acordo com estudo da EPE – Empresa de Pesquisas Energéticas, órgão vinculado ao MME - Ministério de Minas e Energia, poderá chegar a 4% em 2014 e, até 8% em 2030, se mantidas as atuais taxas de crescimento. Os últimos leiloes de compra de energia promovidos pela ANEEL – Agencia Nacional de Energia Elétrica para o mercado regulado, contrataram 1048 MWp em 2014, e 929 MWp em 2015, para suprimento ao longo de 20 anos a partir de 2017 e 2018 respectivamente, ou seja, 3 anos a partir da data do leilão.

 

Os preços dos contratos ficaram ao redor de R$ 300,00/MWh no ultimo leilão. O próximo leilão está previsto para 28 de outubro deste ano, no qual já estão inscritos 393 projetos, que somados atingem 12.458 MWp. Os preços “teto” para esse leilão ainda não foram divulgados.

 

Se tudo correr de acordo com o previsto, e as crises econômica e política forem controladas, a ANEEL deve promover a compra de aproximadamente 1 GWp por ano nos próximos anos, estimulando a instalação maciça dessa fonte no Brasil, juntamente com a energia eólica, cuja presença já é relevante na Matriz Elétrica.

 

O apetite dos investidores para energia solar tem aumentado nos últimos anos, e a Associação que os representa - Absolar, pediu ao MME que a contratação dessa fonte possa ser duplicada, passando a 2 GWp por ano.

 

Por esse motivo, começam a vir para o Brasil fábricas de componentes para aplicação em sistemas de geração solar fotovoltaica. As primeiras já confirmadas para entrarem em operação em 2017, são a Canadian Solar e a BYD fornecendo placas fotovoltaicas. Quanto aos inversores e demais assessórios já tem diversos fornecedores instalados e funcionando.

 

Com a expectativa de demanda, já começam a surgir importantes disputas internas entre os Estados da união, para atrair os investidores nacionais e estrangeiros, para suas regiões, onde esperam que as fábricas possam gerar novas receitas e empregos para população local.

 

O último estudo publicado pela EPE sobre a fonte solar, mostra que o potencial técnico no Brasil pode chegar a 30 mil GWp de capacidade instalada, cerca de 200 vezes toda potencia instalada hoje, somando-se todas as fontes.

 

A mesma EPE concluiu que em termos de GD - Geração Distribuída a partir da fonte solar, pode chegar a 164 GWp apenas se considerados os telhados das residências. Se forem somados os telhados de estabelecimentos comerciais e industriais, esse valor seria muito maior. Outros estudos mostram que os avanços tecnológicos e o aumento significativo da demanda devem implicar em uma redução dos custos de investimento, tanto para sistemas centralizados como para distribuídos, da ordem de 20% nos próximos 3 a 4 anos.

 

A eficiência das placas fotovoltaicas também tem expectativa de aumentos de 25% ou mais, nos próximos 2 anos, impactando de forma positiva os custos dos equipamentos. Desta forma, o payback de sistemas de GD solar, por exemplo,  deve ser reduzido dos atuais 6 a 7 anos, para 3 a 4 anos muito em breve. E ainda, com as reduções de custo dos equipamentos para armazenamento de energia, o uso da fonte solar atingirá novos patamares de utilização não só no Brasil, mas em todo mundo.

 

Por todo exposto, nota-se que de fato há interessantes oportunidades de negócios na área da energia solar no Brasil, e além dos leilões para sistemas centralizados, os recentes estímulos regulatórios para a GD promovidos pela ANEEL, os quais, juntamente com outros estímulos governamentais em curso, devem acelerar exponencialmente as aplicações dessa tecnologia, reduzindo os custos da energia para os cidadãos e criando um novo paradigma em termos de suprimento energético no Brasil.

 

António Bolognesi é mestre em Administração pela PUC Minas e especialista em Geração de Energia de fontes convencionais e renováveis possuindo uma experiência de mais de 35 anos no sector eléctrico brasileiro. É Diretor da Operman – Engenharia e Consultoria. Foi Director Presidente da EMAE - Empresa Metropolitana de Águas e Energia de São Paulo e Director  da CESP - Companhia Energética de São Paulo. Foi ainda  membro do Conselho de Administração do ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico e da CPOS - Companhia Paulista Obras e Serviços.

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