Opinião Jaime Melo Baptista (Água): Vamos organizar-nos rumo a Brasília 2018?

10.02.2017

A oitava edição do Fórum Mundial da Água ocorrerá em Brasília, em março de 2018. Trata-se do maior evento do género realizado no mundo e pretende reafirmar o papel da água na agenda internacional, numa semana em que dezenas de milhares de pessoas se reúnem em sessões, debates e atividades culturais associadas à água.

 

Portugal não pode deixar de estar presente, afirmando-se como um dos países líderes neste domínio, pelas competências e experiência que tem. Temos que ter uma participação interventiva e proveitosa, com uma preparação atempada e abrangente e com o envolvimento de todos. Por isso se justifica o projeto lançado pelo Ministério do Ambiente e intitulado “Portugal Rumo a Brasília 2018”.

 

Refere o despacho Ministerial que esta edição do Fórum se reveste de particular importância por ser a primeira num país de expressão portuguesa, e por coincidir temporalmente com a presidência brasileira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento é muito relevante, tem elevado potencial para todos os intervenientes no cluster português da água e, em particular, pode contribuir para a afirmação internacional da CPLP. A participação portuguesa deverá envolver os diferentes atores do setor e tanto quanto possível procurar deixar um legado, nomeadamente reforçando a visibilidade internacional e a dinâmica de presença internacional do setor nacional da água. A organização nacional contará com um Comissário, uma Comissão Executiva e uma Comissão de Acompanhamento. Prevê-se a participação ativa nos diversos processos do Fórum, a mobilização da Comunidade dos Países da CPLP e instalação de um Pavilhão de Portugal.

 

O Fórum está estruturado em diversos processos, a começar pelo temático, que já aqui abordei há algum tempo, em que as palavras-chave são clima, pessoas, desenvolvimento, urbano, ecossistemas, financiamento, partilha, capacidade e governança. Um primeiro e excelente sinal do dinamismo do setor nacional é o facto de ter havido sete manifestações de interesse portuguesas para coordenação dos  tópicos, a saber da PPA (juntamente com a AdP, a APRH, a APESB e o LNEC) e das Universidades do Minho, de Aveiro e de Lisboa.

 

O processo regional discutirá problemas e orientações para a cooperação e gestão integrada da água em cada continente ou região geográfica, a saber África, Américas, Arábia, Ásia-Pacífico, Europa e Mediterrâneo. Naturalmente que para Portugal o processo regional Europa é de enorme relevância. Complementarmente existirão os processos inter-regionais, e a sessão inter-regional Europa-África tem que merecer a nossa atenção especial, em complemento do processo regional europeu.

 

O processo político envolverá órgãos de governos nacionais, regionais e locais e procurará entendimentos para a gestão integrada dos recursos hídricos. Inclui os processos Ministerial, Parlamentar e dos Mayors. Além do Governo, a Assembleia da República e os Municípios portugueses devem participar e intervir. Será sem dúvida uma oportunidade para a sua ainda maior aproximação às temáticas da água.

 

O fórum cidadão estimulará a participação da sociedade civil nas discussões, trocas de experiências e outras atividades do Fórum. Um espaço para as nossas ONG, que certamente não deixarão passar a oportunidade.

 

O grupo de sustentabilidade discutirá a aderência de políticas públicas e ações para o desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental), numa perspetiva transversal, participando de todos os outros processos. Há que estar atento.

 

Finalmente, a Feira e a Exposição constituirão espaços para a divulgação de ideias, boas práticas e inovação em produtos e processos industriais e empresariais, com o objetivo de fomentar novos negócios relacionadas com a água. Mais uma oportunidade para o setor institucional e empresarial da água em Portugal.

 

Em todos estes processos existem oportunidades para potenciar também a presença da CPLP, quer por via de eventos específicos quer por via de eventos conjuntos com outras regiões. Cabe-nos aproveitar essas oportunidades.

 

Falta pouco mais de um ano para Fórum Mundial da Água, o tempo urge. Vamos organizar-nos rumo a Brasília 2018?

 

Jaime Melo Baptista, engenho civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Presidente do Conselho Estratégico da PPA e Comissário de Portugal ao 8.º Fórum Mundial da Água 2018. Foi membro do conselho de administração e do conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), responsável pelo Departamento de Hidráulica (1990-2000) e pelo Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.

TAGS: Opinião , Jaime Melo Baptista , água , Fórum Mundial da Água , Brasília
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