Opinião Jaime Melo Baptista: Opiniões cruzadas sobre a gestão de serviços de águas

24.03.2020

Os serviços de águas são essenciais à população, à economia e ao ambiente. Por essa razão, devem merecer uma especial atenção dos decisores e necessitam de profissionais altamente qualificados, capazes de gerirem um setor com caraterísticas complexas, com múltiplos agentes e com especiais exigências de serviço público.

 

“O objetivo da gestão é assegurar o bom funcionamento dos serviços de águas através do esforço humano organizado, em equipa, o que deve ser objetivo de qualquer entidade gestora, seja ela pública, privada ou parceria público-privada”.

 

O objetivo da gestão é assegurar o bom funcionamento dos serviços de águas através do esforço humano organizado, em equipa, o que deve ser objetivo de qualquer entidade gestora, seja ela pública, privada ou parceria público-privada. Compreende um conjunto de operações que visam garantir o cumprimento dos objetivos e das metas estabelecidas, de forma eficiente e eficaz. A gestão reúne um vasto conjunto de áreas interdisciplinares de conhecimento, utilizando nomeadamente economia, psicologia, contabilidade, engenharia e tecnologia.

 

Como disse João Feliciano (AGS) no ProAgua da Região Centro, a gestão tem evoluído no sentido de tornar as organizações mais eficazes e mais eficientes, capazes de verem nos avanços tecnológicos e nas exigências que emergem da sociedade desafios, mas também oportunidades. As entidades gestoras de serviços de águas, pela sua exposição e pela natureza da sua atividade, têm que ser um exemplo de rigor e de gestão, o que as obriga a estarem capacitadas e preparadas. O processo de gestão exige um conjunto de competências de planeamento, organização, direção e controlo.

 

Para Francisco Narciso (AdP), a eficácia e a eficiência da gestão económica e financeira e da gestão administrativa das entidades gestoras depende da qualidade da informação, designadamente da sua fiabilidade e oportunidade, a qual está associada à compreensão e integração de todas as vertentes e dimensões dos serviços de águas. E é importante haver capacidade para ver para além da simplificação da realidade que são os documentos e os números. Ou seja, o conhecimento tem por base boa informação, que resulta de dados fiáveis.

 

Rita Almeida (LIS-Water) considera que a gestão técnica dos serviços de águas tem que seguir um processo contínuo e dinâmico de melhoria, resultando o seu sucesso da existência de uma boa condição infraestrutural nos sistemas infraestruturais, de um sólido conhecimento técnico e tecnológico dos sistemas e de técnicos empenhados e responsáveis no desempenho das suas atividades.

 

Eduarda Ferreira (Be Water) refere que o compromisso com o serviço público e o respeito pela água, como recurso finito, devem ser entendidos em toda a estrutura humana da entidade gestora dos serviços de águas e assumidos como valores individuais por cada um dos seus elementos.

 

E Luís Branco acredita que uma gestão comercial eficiente, além dos ganhos operacionais implícitos, permite uma relação mais fluida e direta com os clientes, promovendo uma melhor perceção de qualidade de serviço. A gestão clara da relação contratual entre os prestadores dos serviços de águas e os seus beneficiários, com o conhecimento explícito de ambas as partes dos respetivos direitos e obrigações, deve ser um objetivo central de qualquer entidade gestora.

 

“ (...) é evidente a necessidade de caminharmos para a excelência, com base em recursos humanos altamente capacitados”.

 

Cinco olhares de cinco ângulos diferentes, desde a gestão global até à económica e financeira, técnica, de recursos humanos e comercial. São olhares cruzados, mas convergentes. Em todos eles é evidente a necessidade de caminharmos para a excelência, com base em recursos humanos altamente capacitados.

 


Jaime Melo Baptista, engenheiro civil especializado em engenharia sanitária, é Investigador-Coordenador do LNEC, Coordenador do Lisbon International Centre for Water (LIS-Water), vogal do CNADS e Presidente do Conselho Estratégico da PPA e foi Comissário de Portugal ao Fórum Mundial da Água 2018. Integrou o conselho de administração e o conselho estratégico da IWA. Foi presidente da ERSAR (2003-2015), dirigiu o Departamento de Hidráulica (1990-2000) e o Núcleo de Hidráulica Sanitária (1980-1989) do LNEC, foi diretor da revista Ambiente 21 (2001-2003) e consultor. Foi distinguido com o IWA Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science.

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