Opinião Paulo Preto dos Santos (Energia): Portugal está menos verde

19.07.2019

Foi recentemente publicado pela DGEG o último Balanço Energético Sintético de Portugal, o de 2018. É apenas o sintético, não tem ainda a desagregação por diferentes energias derivadas das primárias.

 

Mas já mostra que Portugal regrediu pelo 2º ano na evolução da contribuição de energias renováveis no Consumo Final Bruto de Energia (CBFE). Estamos agora a 27,5%. Em 2017 essa contribuição era de 28,1% e em 2016 era 28,5%.

 

Na página 5 mostra a distribuição do CBFE: 25,7% Eletricidade; 48,2% Petróleo; 11,3 Gás natural; 6% Biomassa (primária) 7,4% Calor (cogeração) 1,4% Outros (biocombustíveis, a biomassa líquida).

 

Como 75% do Calor (cogeração) é renovável, ou seja da biomassa (os licores negros das cogerações das celuloses) e como 5,5% da eletricidade provem também da biomassa florestal, prova-se que a biomassa continua a ter o maior peso de todas as formas de energia renovável (com um peso superior à soma de todas as demais), veja-se:

Peso da biomassa = 6% + 75%x7,4% + 5,5%x25,7% + 1,4% = 14,4% ou seja, 52% de todas as energias renováveis.

Mais uma vez os dados oficiais nos mostram a verdade, ainda que seja necessário descodificá-los.

 

Portugal está menos verde, e qualquer evolução negativa na utilização da biomassa (sobretudo no calor da cogeração renovável) tem um impacto bem negativo no cumprimento da meta a que estamos vinculados.

 

Paulo Preto dos Santos é Engenheiro Mecânico pelo Instituto Superior Técnico e tem uma graduação em Alta Direcção de Empresas, pela AESE/IESE Business School em Economics. É Director Geral  da TERMOGREEN, e Secretário-Geral da APEB – Associação dos Produtores de Energia e Biomassa. Foi Director na WINPOWER, na SOBIOEN, CEO da TRANSGÁS ENERGIA, Diretor de Marketing da TRANSGÁS, Adjunto do CA da LISBOAGÁS e Gestor na SHELL PORTUGUESA. O autor escreve, por opção, ao abrigo do novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

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