Paulo Rodrigues (Resíduos-Recolha): Resíduos - Os Primeiros Pingos de Chuva

18.05.2020

Recentemente a consultora EY Portugal avaliou o impacto que a pandemia do Covid-19 teve nos diferentes setores de atividade nacionais.

 

Do Turismo ao setor Têxtil, da Distribuição ao Futebol a pandemia teve um efeito avassalador em alguns dos pilares que sustentam a economia global e em particular a economia Portuguesa.

 

Caso para dizer que, aos primeiros “Pingos de Chuva”, alguns dos setores que aparentemente apresentavam uma solidez ímpar, tremeram de forma assustadora e comprometedora.

 

Esta pandemia serviu, não só para demonstrar algumas fragilidades do nosso sistema económico, mas também, para demonstrar a solidez e confiança que podemos e devemos ter em alguns setores.

 

este será o melhor momento para iniciar-se uma transição para um modelo de crescimento verde

 

Certo de que o setor dos resíduos tem características muito próprias e que não depende fortemente de mercados externos, a gestão de resíduos em Portugal demonstrou a solidez e a capacidade  necessárias para resistir a esta pandemia.

 

O setor tem de evoluir e os desafios próximos serão exigentes na transformação e crescimento económico. Este será o melhor momento para iniciar-se uma transição para um modelo de crescimento verde, sustentado nos princípios da economia circular em que o setor dos resíduos pode e deve ser catalisador.

 

A atual crise económica que se aproxima torna a implementação de estratégias de economia circular mais relevantes do que nunca. As fases iniciais da pandemia por Covid-19 revelaram a fragilidade de muitas cadeias de fornecimento e distribuição, não limitadas a, mas podendo ser exemplificadas por questões de disponibilidade como os equipamentos médicos, por exemplo. Os princípios circulares são essenciais quando pensamos na necessidade de design de produto, como a capacidade de reparação e reutilização e a consequente disponibilidade de stock e competitividade.

 

Como se pode verificar em países severamente atingidos pelo vírus, a capacidade de adaptar rapidamente instalações industriais e mudar a produção - de automóveis para peças de equipamentos médicos, por exemplo - foi crucial para um combate mais eficaz a esta crise.

 

Com uma sociedade e setores de atividade mais sensibilizados para a gestão de resíduos, o regresso e abertura de determinadas atividades comerciais vai-nos obrigar a uma mobilização mais célere em que o planeamento definido terá de ser reavaliado e restruturado perante os novos desafios e a mobilização da sociedade.

 

O FUTURO DA ECONOMIA CIRCULAR EM PORTUGAL DEPENDE, OBRIGATORIAMENTE, DE UMA VISÃO QUE NÃO SEJA CONSTANTEMENTE ALTERADA

 

Temos uma necessidade urgente de passar da teoria à prática, da efetivação dos diferentes Planos, com lógica, coordenados e monitorizados não podendo andar, constantemente, a definir e redefinir estratégias.

 

O futuro da Economia Circular em Portugal depende, obrigatoriamente, de uma visão alargada, a longo prazo, estruturada e envolvente. Que seja naturalmente revista e reformulada, quando necessário, mas que não seja constantemente alterada de forma significativa.

 

Foi este pensamento que garantiu a solidez necessário ao setor dos resíduos e será, certamente, assim a melhor forma de resistir a todos os “Pingos de Chuva” que o futuro nos reserva.

 

Paulo Rodrigues é Engenheiro do Ambiente formado pela ESB/UCP com Formação Avançada em Ordenamento da Cidade e Ambiente - UA e Formação Geral em Gestão para a Excelência - PBS. Com um percurso alargado na área de Gestão de Resíduos, desenvolveu e implementou Sistemas de Gestão em diferentes setores de atividade sendo de destacar o setor Residencial, Não-Residencial, sector da Construção e Demolição, Estádios de Futebol, Canal Horeca, Zonas Industriais, PAYT, Prevenção de Resíduos e Gestão de Resíduos em Eventos entre outros. É atualmente Secretário da Comissão Técnica Resíduos – CT209 e tem o registo de Inventor da Patente de Invenção Portuguesa Nº 106819 - “SISTEMA E PROCESSO DE DEPÓSITO E RECOLHA DE RESÍDUOS” COM RECURSO A IDENTIFICAÇÃO DO UTILIZADOR. 

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