Pedro Amaral Jorge (Renováveis): Descarbonização como novo modelo de desenvolvimento

16.12.2019

No dia 11 de dezembro a Comissão Europeia publicou uma comunicação referente ao European Green Deal, na qual apresenta as bases de um acordo para a União Europeia (UE) e os seus cidadãos. O documento redefine o compromisso da Comissão no combate às alterações climáticas e ambientais, sendo que este é “o” tema que congrega a tarefa e o desafio que irá definir esta geração. A atmosfera aquece e o clima muda de forma acentuada a cada ano que passa. Um milhão dos oito milhões de espécies do planeta corre o risco de se extinguir. Incêndios devastam florestas e os oceanos são poluídos e destruídos.

 

O European Green Deal assume a necessidade urgente de mudança, se queremos dar resposta a estes desafios. É um novo modelo de desenvolvimento socioeconómico que tem por objetivo transformar a União Europeia numa sociedade justa, coesa e próspera, através do desenvolvimento de uma economia moderna, eficiente no uso de recursos e com uma estratégia competitiva inovadora, a qual terá como resultante a neutralidade carbónica em 2050, bem como um motor de crescimento económico descorrelacionado do uso intensivo de recursos naturais disponíveis no meio ambiente.

 

Em termos mundiais, e de acordo com o referido estudo, Emissions Gap Report de 2019, as emissões globais de GEE em 2018 atingiram o máximo valor histórico de 55.3 GtCO2e, sendo necessário, para que não se ultrapasse o limiar do 1.5°C, que as emissões se reduzam em 25 GtCO2e até 2030.

 

Uma ferramenta incontornável na redução de emissões é a geração de eletricidade renovável, juntamente com o aumento da eletrificação nos consumos finais de energia. De acordo com o GSR2019 da REN21, que carateriza o setor renovável até final de 2018, a eletricidade de fonte renovável já representa mais de 33% de toda a potência instalada mundialmente. Apesar de ser ainda o início de um longo e incontornável caminho, não posso deixar de realçar as já importantes conclusões:

 

  • O total da potência renovável instalada mundialmente, correspondente a 2 378 GW
  • Potência hidroelétrica instalada ascende a 1 132 GW e já representa menos de 50% de toda a potência renovável instalada
  • Potência eólica ascende a 591 GW (25%) e potência solar fotovoltaica ascende a 505 GW (21%)

 

Portugal, que já contém na sua matriz de capacidade instalada cerca de 60% de potência elétrica renovável, está num bom caminho, mas terá de ajustar o seu PNEC 2030 em conformidade com o RoadMap do European Green Deal.

 

Pedro Amaral Jorge formou-se em Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico, e possui ainda um EMBA com vertente de Finanças e Operações, pelo IESE/AESE. Na sua anterior experiência profissional, desempenhou funções de especialista em estruturação e financiamento de projetos na vertente de investimento do setor privado para o African Development Bank (AfDB), nas áreas de Infraestruturas, Energia e Água e Saneamento em África, com foco na região subsaariana. A juntar ao seu percurso, Pedro Amaral Jorge possui ainda um histórico de desenvolvimento de projetos de concessões de serviços de utilidade pública e de BOT (Build Operate and Transfer) bem como financiamento, planeamento, construção e gestão, acumulando mais de 15 anos de experiência internacional, tendo trabalhado e vivido em diferentes mercados, em especial na Europa, América do Sul, África e Médio Oriente. Conta com um total de 20 anos de experiência profissional em posições de gestão de topo, assumindo funções como Diretor de Unidade de Negócio, Membro de Comissão Executiva, Administrador Executivo e CEO em empresas como a Mitsubishi/METITO Utilities, Indaqua / Grupo Mota-Engil, SACYR/SOMAGUE e IDOM. Na APREN desde dezembro de 2018, assumindo na altura o cargo de Vice-Presidente, Pedro Amaral Jorge iniciou em março de 2019 as funções de Presidente e porta-voz da Associação.

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