Pedro Perdigão (Água-Tecnologia): SMART vs Intelligent

18.05.2020

Todos nós distinguimos bem a diferença entre ser inteligente ou (estar) esperto e dificilmente usamos de forma indiscriminada estes adjetivos que, apesar de similares, não são sinónimos.

 

Então se, comummente, os distinguimos de forma tão clara, penso que se justifica alguma reflexão sobre a tradução que fazemos da palavra smart quando associada a tecnologia. Um telefone, uma televisão ou uma cidade serão inteligentes ou espertos?

 

Abreviando, em senso comum, inteligência é uma capacidade (de entender complexidade), mais ou menos intrínseca e que não podemos melhorar, enquanto que a esperteza, envolvendo sempre a ação rápida e acertada, é uma aptidão que, sim, podemos desenvolver.

 

Assim coloca-se a questão: queremos entidades gestoras mais inteligentes ou espertas? Eu diria mais espertas (ou, se soar melhor, smarter)!

 

Como se tornam então as entidades gestoras mais smart (que rapidamente detetem as mudanças no contexto e atuem)? Investindo, harmoniosamente, nas seguintes cinco áreas:


Sensores – abrangentes, disponíveis e conectados, recolhendo e digitalizando dados de observação das alterações no desempenho dos processos;

Monitorização de apenas variáveis chave. Só com síntese os dados se convertem em informação;

Análise e correlação da informação e decisão sobre as ações a tomar (o Big Data que resulta dos sensores implica ferramentas de apoio à decisão rápidas, automáticas e sem necessidade de descanso);

Recursos (financeiros, humanos, tecnológicos, mas organizados) para implementar, no

Tempo certo, as ações certas e assim dar resposta às alterações medidas nos sensores.

 

A DIGITALIZAÇÃO JÁ EM CURSO NO SETOR FICOU MAIS URGENTE E A FAZER AINDA MAIS SENTIDO.

 

Todas as cinco áreas devem ser vistas como parte de um sistema e não como ferramentas isoladas de melhoria. De que vale colocar sensores se não formos capazes de transformar os dados recolhidos em decisões acertadas ou, de que valem sensores e inteligência artificial na aceleração da deteção de eventos súbitos, por exemplo fugas ou contaminações, se não temos os meios para atuar com rapidez.

 

Os tempos de Pandemia que vivemos mostraram, para quem se tinha esquecido, que mesmo a realidade tida como mais garantida pode ser alterada de um dia para o outro. Aí, como sempre, serão os mais rápidos a lidar com a mudança que subsistirão.

 

É, assim, cada vez mais essencial agilizar as nossas entidades gestoras acelerando-as e tornando-as mais espertas. A digitalização já em curso no setor ficou mais urgente e a fazer ainda mais sentido.

 

Após a licenciatura em Civil, Pedro Perdigão concluiu o mestrado em Estruturas e foi professor na Faculdade de Engenharia da UP. Tem funções técnicas ou de gestão no setor do abastecimento de água, desde 1996, ano em que iniciou a sua carreira profissional na Águas do Douro e Paiva. Em 2007 saiu do setor para Diretor da Habiserve (grupo de promoção imobiliária) onde foi responsável pelos departamentos de Gestão de Negócio, Sistemas de Informação e Pós-Venda, assim como, Diretor Executivo da empresa de importação de materiais desse grupo - Imperbor. De 2008 a 2009 foi Diretor Geral da Tgeotecnia, SA, empresa do grupo DST para obras de geotecnia. Em 2009 regressou ao setor como Diretor Geral da Águas de Gondomar. Ainda no mesmo grupo, de 2011 a 2016, assumiu as funções de Diretor Geral da Águas de Cascais. Atualmente é Administrador no grupo Indaqua, com responsabilidade nas operações das suas empresas que, só em Portugal, asseguram o abastecimento de água e saneamento a mais de 600.000 habitantes. Para além de assumir funções nas concessões (Fafe, Matosinhos, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde) é ainda gerente na empresa de Operação e Manutenção do grupo (Aqualevel) e administrador na Águas de São João da Madeira. É professor no Mestrado de Economia e Gestão Ambiental na Faculdade de Economia da UP.

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