
Portugal é o oitavo país europeu com mais resíduos de equipamentos eléctricos sem registo
Portugal é o oitavo país de um grupo de 30 (28 países da União Europeia + Suíça e Noruega) com o mais elevado índice de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos (REEE) sem registo. Em 2012 quase 50 por cento dos REEE estavam nesta situação.
Os casos mais graves verificam-se contudo no Chipre e na Roménia, com quase 70 por cento dos REEE sem o respectivo controlo.
A Suécia apresenta-se como o caso exemplar sem REEE nesta categoria e com uma taxa de 85 de resíduos geridos por sistemas formais. Em Portugal esse valor ronda os 25 por cento. Neste indicador Portugal surge na lista dos piores, só ultrapassado pelo Chipre, Espanha, Grécia, Itália, Letónia e Roménia.
Em Portugal quase 10 por cento dos REEE são colocados no lixo indiferenciado e cerca de 20 por cento está nas mãos dos sucateiros ou free riders.
Os dados constam de uma investigação de dois anos sobre o funcionamento do mercado de REEE. O projecto foi financiado pela União Europeia – Countering WEEE Illegal Trade (CWIT) – e desenvolvido em Portugal pela Amb3E – responsável pela Rede Electrão –, enquanto membro do WEEE Forum.
Internacionalmente foi conduzido pela INTERPOL, Universidade das Nações Unidas (UNU), Instituto Inter-regional de Investigação de Crime e Justiça das Nações Unidas (UNICRI), o WEEE Forum, a Cross Border Research Association, Zanasi & Partners e Compliance and Risks.
A Amb3E, enquanto membro do WEEE Forum, foi responsável por fornecer informações essenciais sobre a realidade portuguesa, como dados quantitativos sobre recolhas de REEE, e identificar os stakeholders envolvidos na indústria e mecanismos que reforçam o correcto encaminhamento destes resíduos para os canais formais.
Segundo dados deste projecto apenas 35 por cento (3,3 milhões de toneladas de um total de 9,5 milhões de toneladas) de REEE e equipamentos usados (mas ainda a funcionar) descartados por empresas e consumidores em 2012 seguiu para sistemas de encaminhamento e valorização de resíduos oficiais.
O director geral da Amb3E, entidade responsável pela Rede Electrão, Pedro Nazareth sublinha que este projecto CWIT foi lançado para identificar as lacunas e sugerir melhorias no tratamento e gestão de REEE. “Conseguir cumprir as metas europeias é um grande desafio, no qual todas as pessoas representam um papel crítico. Por isso mesmo, temos apostado na sensibilização da população em geral para esta problemática, mas também na colaboração de projetos desta natureza através dos quais chegamos a recomendações que permitam minimizar este tipo de crimes ambientais”, sublinha.
O projecto CWIT recomenda uma abordagem que envolve os vários stakeholders e oferece um mapa de implementação a curto, médio e longo prazo para reduzir o comércio ilegal.