Portugal rumo a Brasília - Fórum Cidadão

09.02.2018

Promover a inclusão dos jovens profissionais nos grandes debates do setor da água é um dos objetivos da participação portuguesa no Fórum Cidadão, um dos processos estruturantes do Fórum Mundial da Água (FMA), que visa estimular a participação da sociedade civil nas atividades daquele que é o principal evento mundial na área da água. A 8ª edição do FMA irá reunir cerca de 40 mil pessoas em Brasília de 18 a 23 de Março.

 

O recém-criado grupo DUCTUS – Jovens pela água, que agrega jovens profissionais da água até aos 35 anos, estará representado no Fórum da Juventude, integrado na programação do 8º FMA, tendo em vista “desenvolver contactos e dar a conhecer a experiência portuguesa” neste domínio, adiantou Rita Amaral, membro do grupo, que viaja até Brasília em março, no âmbito do projeto “Portugal rumo a Brasília”.

 

Recorde-se que o objetivo deste grupo é criar uma estrutura comum de jovens profissionais portugueses que já integram associações setoriais como a APDA – Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, a APRH – Associação Portuguesa de Recursos Hídricos e APESB – Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental. Atualmente, estão a desenvolver um plano de atividades para o próximo biénio e o modelo de governança da nova estrutura.

 

Em conjunto com jovens brasileiros, está ainda a ser constituída uma Comunidade de Juventude Lusófona pela Água, no sentido de aproximar estudantes e profissionais até 35 anos da CPLP – Comunidade Países de Língua Portuguesa. “Estamos a trabalhar para criar um documento de constituição dessa comunidade e apresentá-lo no Fórum”, concretizou Rita Amaral, no sentido de “divulgar a iniciativa e discutir caminhos” de atuação. Neste momento, estão a ser identificados pontos focais nos países da CPLP. A sessão de lançamento desta rede de jovens profissionais será feita no Pavilhão de Portugal, mas pretende-se que a iniciativa possa também ser divulgada no Fórum da Juventude e numa sessão promovida pela UNESCO dedicada aos jovens.

 

Estes jovens profissionais também já apresentaram uma proposta de inclusão de uma referência expressa na Declaração que será assinada em Brasília por Ministros da Água da CPLP, reconhecendo o papel dos jovens como líderes emergentes e tendo em vista a criação de uma comunidade lusófona de jovens profissionais para a água.    

 

Em paralelo, realiza-se também em Brasília, de 12 a 17 de Março, a 4ª Assembleia-Geral do Parlamento Mundial da Juventude pela Água, uma rede de jovens, com idades entre os 18 e os 30 anos, que integra cerca de 300 membros de 80 países, organizados em cinco áreas regionais e 30 estruturas nacionais. Um dos objetivos do DUCTUS é justamente perceber como se pode acionar a criação de uma estrutura nacional em Portugal, antecipou Rita Amaral. Para além de workshops e sessões de debate, este evento contempla uma sessão pública, onde será apresentada uma declaração formal.

 

CINEMA PORTUGUÊS EM BRASÍLIA

 

A cultura terá também lugar de destaque nesta edição do FMA e Portugal leva a Brasília um conjunto de curtas-metragens internacionais e portuguesas sobre a temática da água.

 

No âmbito de uma parceria estabelecida com o festival CineEco, o único festival de cinema em Portugal dedicado à temática do ambiente, e o município de Seia, está prevista a exibição, no Pavilhão de Portugal e no final de sessões temáticas do evento, de 17 curtas-metragens internacionais – que estiveram em competição na última edição do CineEco – e 15 curtas portuguesas com duração até 5 minutos.

 

Os filmes portugueses foram selecionados a partir de cerca de três dezenas de projetos concorrentes. O primeiro prémio, no valor de 250 euros, foi atribuído ao filme “A Última Gota”, de Tony Correia, de Seia. Trata-se de um filme, com a duração de dois minutos e meio, “que conta a história de um menino com um sonho de transformar uma natureza destruída, onde a água é o elemento primordial de toda a vida em redor”, adianta a organização em comunicado. Foi também atribuída uma menção honrosa à curta “O Centro de Portugal”, de Ruben Alves.

 

“O CineECO vai fazer 23 anos e, ao longo destes anos, tem dado destaque à temática da água e das alterações climáticas”, explicou Mário Branquinho, diretor do festival, uma preocupação “muito presente nas largas centenas de filmes que são enviadas para concurso no festival”. A participação no 8º FMA “é, para nós, muito importante não só para divulgar o papel do festival, mas sobretudo para dar visibilidade a estas temáticas, através do audiovisual, e em concreto do cinema, numa época em que a questão da água é cada vez mais premente”, disse ainda Mário Branquinho, recordando os fenómenos climáticos – seca e incêndios – que marcaram o último ano em Portugal.

 

As exibições a realizar em Brasília serão coordenadas por Mário Branquinho, que será também um dos membros do júri de um festival de curtas sobre a Água, organizado pelo Filmambiente, que decorre no âmbito do evento.

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