Paulo Rodrigues (Resíduos): Recolha de Resíduos e a Atratividade das Cidades

13.01.2020

A recolha de resíduos é a “face” do serviço de gestão de resíduos mais visível para o cidadão e reflete, mesmo que o serviço seja concessionado, uma imagem do serviço público.

 

Certo é que todos nós já assistimos à recolha de resíduos. E se também é verdade que ao nível do tratamento o país tem centrais com tecnologia de excelência e que nivelam pelas melhores da europa, apenas poucos ou alguns já as visitaram e conhecem.

 

Assim, para o comum cidadão, a gestão de resíduos que conhece são os equipamentos/contentores de deposição e a recolha de resíduos.

 

Hoje, quando as cidades e regiões competem entre si por atrair investimento, captar indústrias, fixar pessoas e promover o turismo, é difícil compreender o desinvestimento que se tem feito na recolha de resíduos.

 

A qualificação dos trabalhadores, o fardamento, as viaturas ou a própria imagem do serviço não é, certamente, o melhor “cartão de visita” que a gestão de resíduos pode e deve apresentar como imagem do serviço público.

 

Mas a dura realidade é que hoje, não só em Portugal mas por todo o mundo, é extremamente difícil encontrar trabalhadores para a recolha de resíduos.

 

A dificuldade é tão grande que, por exemplo nos Estados Unidos, existe uma proposta para que os serviços de recolha de resíduos possam ser um “primeiro emprego” na reinserção social de, por exemplo, reclusos de longa duração.

 

Mas não se julgue que a nossa realidade está muito distante. A verdade inconveniente é que poucos querem trabalhar na recolha de resíduos e Portugal não foge à regra na seleção dos colaboradores para esta área.

 

Poderíamos dizer que nem sempre foi assim, mas hoje a percentagem da recolha de resíduos em Portugal que é efetuado por entidades privadas é maior que a executada por serviços municipalizados pelo que a regra é a contratação de trabalhadores de curta duração, alta taxa de rotatividade, ordenados baixos e reduzida (ou mesmo nenhuma) qualificação.

 

Mas se conforme referido anteriormente, a recolha de resíduos reflete uma imagem importante e constante do serviço público como é que chegamos a este ponto?

 

A resposta é simples e pragmática: A Qualidade paga-se!

 

E, portanto, quando em Concursos Públicos o critério preço continua a ser o fator de maior relevância na avaliação das propostas então, inevitavelmente, estamos a induzir o mercado para o destino onde nos encontramos.

 

Ironia ou não, esta “estratégia” é o oposto da estratégia definida para a Atratividade das Cidades o que nos leva a perguntar: Vamos continuar a querer uma Recolha de Resíduos neste modelo atual ou vamos ter uma Estratégia Integrada de Atratividade das Cidades?

 

Paulo Rodrigues é Engenheiro do Ambiente formado pela ESB/UCP com Formação Avançada em Ordenamento da Cidade e Ambiente - UA e Formação Geral em Gestão para a Excelência - PBS. Com um percurso alargado na área de Gestão de Resíduos, desenvolveu e implementou Sistemas de Gestão em diferentes setores de atividade sendo de destacar o setor Residencial, Não-Residencial, sector da Construção e Demolição, Estádios de Futebol, Canal Horeca, Zonas Industriais, PAYT, Prevenção de Resíduos e Gestão de Resíduos em Eventos entre outros. É atualmente Secretário da Comissão Técnica Resíduos – CT209 e tem o registo de Inventor da Patente de Invenção Portuguesa Nº 106819 - “SISTEMA E PROCESSO DE DEPÓSITO E RECOLHA DE RESÍDUOS” COM RECURSO A IDENTIFICAÇÃO DO UTILIZADOR.

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