Regantes alertam Governo para seca semelhante à de 2016

06.03.2019

“A dois meses do início da campanha rega, parte do território nacional encontra-se em situação de seca e todas as bacias hidrográficas apresentam armazenamento de água abaixo da média”, alertou a Fenareg – Federação Nacional de Regantes, em recente reunião com Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, ocasião aproveitada para apresentar propostas de apoio ao setor.


Considerando a situação do Sado como a mais crítica, a Fenareg salientou que as disponibilidades também são baixas nas bacias internacionais e Espanha terá mesmo comunicado que não podem não cumprir os caudais mínimos, caso seja necessário acionar o regime de exceção. “O cenário atual é comparável com o de 2016, uma situação cautelosa e que exige planeamento”, afirma esta Federação em comunicado.


Para a Fenareg, nos regadios coletivos o armazenamento de água regista níveis que asseguram a campanha de rega, exceto em Campilhas e Alto Sado e em Alfandega da Fé. “Nos regadios privados a situação é mais preocupante, uma vez que estes não têm capacidade de armazenamento de água interanual”, afirma-se no comunicado.


No encontro com o ministro, a Fenareg propôs medidas imediatas para evitar situações extremas. Foi sugerido implementar um regime de caudal mínimo diário nas bacias hidrográficas, em que “a situação mais preocupante é a do rio Tejo”. Também foi solicitado o aliviar do esforço financeiro exigido aos perímetros hidroagrícolas abastecidos por Alqueva que, pelo terceiro ano consecutivo, vai precisar de contribuir para as albufeiras confinantes para minimizar a seca hidrológica.


A Federação lembrou ainda a necessidade de reduzir os custos da energia elétrica associada ao regadio e de criar incentivos financeiros à gestão eficiente do uso da água e da energia.


A FENAREG é uma associação que agrupa entidades dedicadas à gestão da água para rega, contando com 28 associados que representam mais de 25 mil agricultores regantes e cerca de 135 mil hectares, o que significa, segundo a instituição, “mais de 90% do regadio organizado, 76% do regadio coletivo público e cerca de 20% do regadio nacional”.

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