Rui Berkemeier: Entidade gestora de brinquedos? Por que não? Mas têxteis e RCD são prioridade

20.03.2018

A criação de uma entidade gestora para o fluxo dos brinquedos é uma possibilidade, até porque grande parte destes objetos acabam por não ser reciclados quando chegam ao seu fim de vida.

 

É claro que não será a primeira prioridade para a criação de uma nova entidade gestora, estando os fluxos dos têxteis (principalmente) e também dos resíduos de construção e demolição naturalmente à frente nesse campo, mas poderá vir a ser equacionada num futuro relativamente próximo.

 

Por outro lado, o problema da criação de novas entidades gestoras neste momento é que o Estado tem revelado grandes dificuldades em controlar o funcionamento das que já existem, o que tem vindo a degradar a imagem desta importante ferramenta para a gestão dos resíduos.

 

Será pois prioritário que, de uma vez por todas, se criem mecanismos que possam controlar a quantidade de produtos que são colocados no mercado e que pagam ecovalor para as entidades gestoras (em 2016, cerca de meio milhão de toneladas de embalagens não terão pago ecovalor) ou ainda controlar a forma como os resíduos são tratados (veja-se o caso dos equipamentos de frio em que menos de 25% são encaminhados para empresas licenciadas para o seu tratamento).

 

Também é bastante questionável a capacidade financeira de muitas das atuais entidades gestoras de fluxos para fazerem face às metas de recolha e reciclagem a que estão obrigadas.

 

Questionável ainda é a forma como algumas entidades gestoras obtêm os dados sobre a recolha e tratamento dos seus fluxos, sendo que com as e-GAR e o Unilex se espera que se faça mais luz sobre as situações menos claras.

 

Mas voltando aos brinquedos, a seu tempo pode ser um fluxo que nas vertentes da reutilização (com uma forte componente social) e da reciclagem poderá mais facilmente sensibilizar os cidadãos para a importância de dar uma nova vida ao brinquedo ou, caso isso não seja possível, aos materiais que o constituem. 

 

Rui Berkemeier é Engenheiro do Ambiente licenciado pela FCT/UNL. Foi Técnico Superior da Direção de Serviços de Hidráulica do Sul em Évora (1988-1992), na área de Controle da poluição hídrica e extracção de inertes, e Chefe de Setor de Ambiente da CM das Ilhas em Macau (1992-1996) na Gestão de Resíduos e Educação Ambiental. Desempenhou as funções de Coordenador do Centro de Informação de Resíduos da Quercus de 1996 a 2016 acompanhando as políticas nacionais de gestão de resíduos. Atualmente é técnico especialista na Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável.

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