Sofia Simões (FCT-UNL): O mapeamento da pobreza energética em Portugal (COM VÍDEO)

12.02.2016

Bragança é o concelho do país onde existe mais pobreza energética entre a população com mais de 65 anos, em particular na freguesia de Rio de Onor, onde 75 por cento dos  habitantes estão nesta situação. Braga, por oposição, foi identificado como sendo o concelho, dos 29 estudados, onde existe menos pobreza energética por ter população mais jovem e com maiores níveis de rendimento.

 

Estas são conclusões de um estudo realizado pelo CENSE (Centre for Environmental and Sustainability Research) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que fez o mapeamento da pobreza energética em Portugal. O estudo integrou o projecto ClimAdaPT.local e concluiu que, em média, 29 por cento da população não tem capacidade de aquecer as casas no Inverno nem arrefecê-las no Verão.

 

“Tentámos perceber quem não consegue aquecer ou arrefecer a sua casa por não ter disponibilidade económica para isso”, resume a investigadora Sofia Simões ao Ambiente Online.

 

A investigadora alerta para o facto de a pobreza energética comportar custos “não só do ponto de vista social, que são intangíveis e não conseguem ser medidos”, mas “também para o sistema nacional de saúde uma vez que há complicações que têm que ser tratadas”.

 

Sofia Simões sublinha ainda ao Ambiente Online que a tarifa social, lançada pelo anterior ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, e que passará a ser automática por decisão do actual Governo, não é suficiente para resolver o problema tendo em conta que muitos destes habitantes nem sequer possuem equipamentos de aquecimento eléctricos já que por dificuldades financeiras tentam aquecer as habitações com recurso a lenha, situação que tem dado origem a vários acidentes domésticos.

 

Ana Santiago 

TAGS: Semana Comentada , pobreza energética , Portugal , estudo , Sofia Simões
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