Teresa Ribeiro defende aposta na prevenção e inovação para evitar migrações forçadas (VÍDEO)

19.03.2018

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Teresa Ribeiro, que participou no painel de alto nível sobre “Água e Migrações”, no âmbito do 8º Fórum Mundial da Água, defende uma aposta “na prevenção” e na “partilha de soluções inovadoras e negociadas” como forma de evitar a migração forçada de populações. “A questão da migração está também ligada à água, mesmo que este não seja o detonador principal”, afirmou.

 

A governante frisou ainda, na sua intervenção, a importância geoestratégica da água, recordando que 90% da população mundial “tem de partilhar obrigatoriamente os seus recursos hídricos”. “A água é um bem essencial, mas também tem um potencial de conflito muito grande”, notou.  

 

Em declarações ao Ambiente Online, salienta ainda a importância de envolver os vários atores da sociedade neste desígnio (ver vídeo).  

 

UMA CAUSA OU UM MULTIPLICADOR?


Será que o stress hídrico é uma causa de migrações ou tem apenas um efeito multiplicador? A pergunta foi lançada pelo moderador da sessão, Jerome Delli Priscoli, editor da Water Policy.

 

“A escassez de água é certamente uma causa, mas é difícil de a isolar de outras questões”, observou Eduardo Mansur, Diretor da Divisão de Terra e Água da FAO, que apresentou os resultados de um novo relatório, produzido em conjunto com a Global Water Partnership, sobre Stress Hídrico e Migrações, com base em 184 estudos sobre o tema.  

 

Ainda assim, a agricultura “é de longe” o setor mais afetado pela escassez hídrica, dado que representa 70 a 90% do consumo de água em todos os países do mundo. E neste contexto, entre os agricultores de menores rendimentos, a migração pode ser “uma forma de adaptação às alterações climáticas”, explicou, frisando a necessidade de dar alternativas às populações rurais, garantindo maior resiliência dos sistemas, para que estas não sejam sujeitas a uma migração forçada. “A migração deve ser uma opção, e não a única alternativa que resta", disse também José Graziano da Silva, diretor geral da FAO, num vídeo apresentado no evento.

 

“A migração forçada é um sinal de que a adaptação falhou”, concordou Oyun Sanjaasuren, da Global Water Partnership, que enfatizou a necessidade de canalizar mais meios financeiros para este fim. “É sempre melhor investir na prevenção”.

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