ZERO alerta para descontrolo na instalação de explorações agrícolas de regadio junto ao Alqueva

19.11.2019

A associação ambientalista ZERO alertou para o descontrolo na instalação de culturas intensivas fora dos blocos de rega, em áreas onde as mesmas são proibidas ou condicionadas, no Alqueva e em áreas adjacentes. 

 

Um primeiro levantamento, realizado no âmbito do trabalho do Movimento Alentejano, identifica, só no concelho de Beja, uma área superior a 2500 hectares na qual foram instaladas culturas intensivas de regadio em incumprimento. Esta situação atinge uma área superior a 2000 hectares em Serpa e em menor expressão no concelho de Ferreira do Alentejo, estendendo-se um pouco por todos os outros concelhos envolventes. 

 

As situações identificadas referem-se a áreas classificadas nas cartas de ordenamento como espaços agro-silvo-pastoris, acrescendo ainda o facto de algumas das áreas projetadas dos novos blocos de rega da 2ª fase do EFMA (Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva) as culturas terem sido instaladas de forma ilegal, antes de ser aprovada a sua implementação. Em comunicado, a ZERO antevê que “ a mesma venha agora a ser legitimada pela reclassificação destas áreas como áreas de regadio”. 

 

A ZERO destaca os impactos significativos e variados no território, visto que “as linhas de água estão a ser vítimas de intervenções abusivas com a sua retificação e aprofundamento e, em vários casos, assiste-se a desvios dos seus cursos e à destruição das galerias ribeirinhas e mesmo à aplicação de herbicidas nas suas margens e leitos. Em algumas áreas de cabeceira, as linhas de escoamento são simplesmente obliteradas e terraplanadas”.

 

A associação ambientalista alerta também para os riscos para a saúde, uma vez que “várias povoações vêm agora estas culturas, onde são aplicadas doses consideráveis de pesticidas, a aproximarem-se dos perímetros urbanos, sendo inúmeras as queixas por parte dos habitantes destes locais”. 

 

A ZERO afirma ainda não considerar aceitável que as diversas entidades com responsabilidades em matérias de gestão e ordenamento do território continuem sem assumir as suas responsabilidades, exigindo “a imediata intervenção da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região do Alentejo (CCDRA), no sentido de fazer cumprir os preceitos previstos nos diversos instrumentos de gestão territorial em vigor, bem como da Inspeção Geral do Ambiente, do Mar, da Agricultura, do Ordenamento do Território (IGAMAOT)”.

 

A associação ambientalista irá ainda solicitar uma auditoria à forma como todo o processo de instalação dos perímetros de rega tem decorrido, com o objetivo de “descortinar quem falhou e porque falhou, para apurar responsabilidades e corrigir o que ainda for possível corrigir”.

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