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Explorar energia no mar a partir do vento
2009-11-12
O oceano representa o recurso mais extenso do planeta, que pode ser aproveitado em termos energéticos não apenas quando as ondas rebentam na costa. A exploração da energia eólica offshore, em alto mar, pode ser um importante contributo para o cumprimento das metas comunitárias de incorporação de fontes renováveis na produção e electricidade. Segundo a Associação Europeia da Energia Eólica, o desenvolvimento de cerca de 5 por cento da área do Mar do Norte permitiria à energia eólica offshore abastecer quase um quarto das necessidades eléctricas da União Europeia. No entanto, há ainda vários obstáculos tecnológicos a ultrapassar.
No caso de Portugal, «existe um potencial eólico tecnicamente sustentável entre 2500 MW e 3500 MW», garante Ana Estanqueiro, investigadora do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI). Mas este potencial depende da evolução tecnológica das fundações para profundidades entre 20 e 40 metros , devido à configuração da costa portuguesa. «O País não tem as melhores condições para a eólica offshore, porque a costa afunda abruptamente. Os parques têm de estar a 10 ou 15 Km da costa para não serem visíveis, e têm de ser colocados a profundidades com o máximo de 40 metros», explica António Vidigal, CEO da EDP Inovação.
EDP quer instalar WindFloat
As empresas já estão de olho nesta oportunidade. Actualmente, a EDP Inovação está a desenvolver um projecto – o WindFloat – com a norte-americana Principle Power, que consiste na demonstração de uma tecnologia de exploração da eólica offshore na costa portuguesa. O modelo que a EDP está a trabalhar não é de fundação no fundo do mar, ao contrário do offshore “clássico”. «A tecnologia desenvolvida baseia-se numa solução flutuante, estimando-se uma futura capacidade de geração de energia eléctrica de, aproximadamente, 5 MW por dispositivo», explica fonte oficial da eléctrica ao AmbienteOnline. Os dispositivos flutuantes aguentam as maiores tempestades e são menos invasivos, com menor impacto visual.
Alla Weinstein, da Principle Power Portugal, afirmou ao AmbienteOnline que o consórcio está ainda a analisar qual será o melhor local da costa portuguesa para instalar as infra-estruturas, sendo que as zonas oeste e sul se apresentam como mais favoráveis. «O principal problema agora é logístico», referiu a também presidente da Associação Europeia de Energia das Ondas, à margem da conferência “Powering the future – Marine energy opportunities”, organizada pelo Centro de Energia das Ondas, em 5 de Novembro, no Centro Cultural de Belém. A responsável adiantou que espera ter as infra-estruturas instaladas em 2011, para iniciar a exploração.
Criação do Instituto da Energia Offshore
Para apoiar o desenvolvimento de infra-estruturas, competências e recursos nesta área, o Pólo de Competitividade e Tecnologia da Energia (PCTE), recentemente constituído, pretende criar o Instituto da Energia Offshore, que irá complementar a actividade do Centro de Energia das Ondas, já existente. O objectivo é «assegurar a viabilidade dos serviços relacionados com o offshore em Portugal», explicou Custódio Miguens, presidente do PCTE, na mesma conferência.
O novo instituto apoiará a criação de laboratórios, zonas de teste, equipamentos, e irá fazer a avaliação do «potencial industrial» da energia eólica offshore no País. Este é, refere Custódio Miguens, o «objectivo mais ambicioso» do PCTE. O pólo foi fundado pela EDP, Efacec, Galp Energia, Martifer e MIT Portugal, e está ainda em fase de organização, mas deverá começar a trabalhar no terreno em 2010.
As questões legais e financeiras que ainda limitam a aposta na eólica offshore vão também estar na agenda de trabalhos do Instituto de Energia Offshore. O desenvolvimento desta tecnologia exige condições económicas mais favoráveis, nomeadamente ao nível das «tarifas de retribuição destes sistemas, que noutros países são cerca de 70 por cento a 100 por cento superiores às praticadas para a energia produzida por parques eólicos em terra», explica Ana Estanqueiro. Os parques eólicos offshore produzem mais 40 por cento de energia do que os onshore, mas, em contrapartida, os custos de construção de uma infra-estrutura destas no mar são 50 por cento mais elevados que em terra.
Autor / Fonte
2009-11-12| PRODUTOS E SERVIÇOS | DIRECTÓRIO DE EMPRESAS | |

