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Edifícios existentes sem metas de desempenho energético
2010-01-18
Com
um peso de cerca de 40 por cento no consumo de energia e na emissão
de gases com efeito de estufa (GEE), os edifícios desempenham um
papel decisivo para o cumprimento dos objectivos europeus de reduzir,
até 2020, o consumo de energia em 20 por cento e de aumentar, na
mesma proporção, o recurso a energias renováveis.
No
início de 2010, o Parlamento Europeu deverá aprovar a revisão
legislativa da Directiva relativa ao Desempenho Energético dos
Edifícios, que data de 2002, e que lançou as fundações para um
novo paradigma de uma Europa de baixo carbono, ao definir requisitos
mínimos de eficiência para edifícios residenciais e comerciais.
Segundo
o acordo político informal, entre negociadores do Parlamento Europeu
e do Conselho, concretizado no final de Novembro, todos os edifícios
novos deverão cumprir, em 2020, elevados padrões de eficiência
energética, assegurando que uma fatia significativa da produção de
energia é feita através de fontes renováveis, designadamente a
nível local. Não foram definidos objectivos concretos para os
edifícios existentes.
A
revisão da directiva, que foi um dos cavalos de batalha da
presidência sueca da União Europeia, acabou, contudo, por recuar em
algumas das propostas anteriormente avançadas pela Comissão. O
conceito de edifício “zero energia” acabou por dar lugar à
expressão “quase zero energia”, cuja definição legal foi
deixada em aberto, ficando a cargo de cada Estado-membro concretizar
os seus próprios standards, a nível local.
Opiniões
dividem-se
Eduardo Oliveira Fernandes,
professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto,
concorda que as metas de desempenho sejam estabelecidas à escala
local, visto que os edifícios «são, antes de mais, ´arquitectura´
e esta é uma extensão do ambiente natural», designadamente o clima
e a geografia.
Já
o professor do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do
Instituto Superior Técnico (IST), Manuel Duarte Pinheiro, defendeu, em declarações ao jornal Água&Ambiente,
que deveriam ter sido definidas metas de referência à escala
europeia que, posteriormente, poderiam «ser ajustadas com
justificação por parte do Estado-membro».
Já
João de Jesus Ferreira, da Jesus Ferreira Consultores é
peremptório: ainda que seja possível tecnicamente, é
«economicamente absurdo» ter edifícios “zero energia”. «Cada
edifício é um caso, cada tecnologia tem o seu campo de aplicação
e rentabilidade adequada e por isso não se pode fazer uma
generalização deste tipo sem correr o risco de estarmos a promover
absurdos técnico-económicos», afirma.
Inicialmente,
pretendia-se que, em 2019, os novos edifícios produzissem tanta
energia como a que consumissem e que os Estados-membros definissem
metas em relação à percentagem mínima de edifícios existentes
que deveriam ser “zero energia”. Era este o conteúdo do texto
aprovado em primeira leitura em Abril de 2009, cujas metas foram
consideradas «irrealistas» pelos responsáveis políticos da União
Europeia.
Autor / Fonte
Joana FilipeNotícias relacionadas
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