Agência Internacional de Energia insta europeus a reduzirem já o consumo de gás

26.07.2022

A Agência Internacional de Energia (AIE) instou os europeus a reduzirem já o consumo de gás para poderem passar o inverno, porque as medidas tomadas até agora são insuficientes.

 

O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, propõe cinco medidas de emergência destinadas à indústria, ao setor da eletricidade e do gás e aos Governos da União Europeia (UE) para coordenar a ação, mas também aos consumidores para reduzir a temperatura do aquecimento e aumentar a temperatura do ar condicionado.

 

"Se tais medidas não forem implementadas agora, a Europa estará numa posição extremamente vulnerável e poderá enfrentar cortes e reduções muito mais drásticas mais tarde", adverte FatihBirol numa mensagem emitida numa semana em que a UE-27 deverá adotar uma posição comum sobre o desafio dos cortes na oferta russa.

 

A Europa deve agora fazer "tudo o que puder" para reduzir o risco de cortes e racionamentos no inverno "quando os cidadãos mais vulneráveis menos se podem dar ao luxo de passar sem o mesmo" e sem abandonar o rumo da transição energética.

 

Para o efeito, o diretor executivo da AIE propõe cinco pontos de ação: estabelecer plataformas de leilões de gás para incentivar a redução da procura industrial; minimizar o consumo de gás para a produção de eletricidade, por exemplo, utilizando temporariamente como alternativa centrais de carvão, petróleo e energia nuclear; maior coordenação entre os operadores energéticos em toda a Europa para reduzir os picos de consumo, uma vez que é durante os mesmos que as centrais elétricas alimentadas a gás são mais utilizadas para produzir eletricidade.

 

Propõe ainda a redução do consumo doméstico com normas e controlos para o ar condicionado, para o qual as administrações precisam de dar o exemplo, e apela igualmente à harmonização dos planos de emergência, tanto a nível nacional como europeu, incluindo cortes de energia e mecanismos de solidariedade.

 

Desde o início do mês, a Rússia suspendeu os fornecimentos de gás através do Nord Stream 1, o principal gasoduto que abastece a Europa, teoricamente devido ao trabalho de manutenção, que deverá ser retomado a partir do dia 21.

 

Se a Rússia restabelecer os abastecimentos nessa altura e os mantiver nos baixos volumes que impôs nos últimos meses e fechar completamente a torneira no início da estação de aquecimento em 1 de outubro, a AIE considera que a UE teria de ter enchido as suas reservas de gás até pelo menos 90% até ao outono, e mesmo assim poderia ser curto até ao final do inverno.

 

Fatih Birol reconhece que foram feitos progressos na procura de gás de outros países produtores, mas considera que "não é suficiente" e que é necessário agir principalmente do lado da procura.

 

De acordo com cálculos, este cenário exigiria uma poupança adicional de cerca de 12 mil milhões de metros cúbicos nos próximos três meses, o que equivale à carga de cerca de 130 navios transportando gás natural liquefeito (GNL).

 

A agência não exclui a possibilidade de Moscovo cortar completamente o fornecimento de gás à Europa, até porque, paradoxalmente, as receitas da venda de petróleo e gás da Rússia aumentaram desde o início da invasão da Ucrânia.

 

As sanções impostas pelo Ocidente não conseguiram até agora alcançar o que se propuseram: entre março e julho, a Rússia ganhou 95 mil milhões de dólares com a venda dos seus hidrocarbonetos, quase o dobro do que ganhou em anos anteriores.

TAGS: gás , Agência Internacional de Energia , energia , eletricidade , europa
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