Carlos Zorrinho: Estado da União da Energia

30.10.2020

O Parlamento Europeu debateu no dia 23 de outubro, com a presença da Comissária para a energia, Kadri Simson, o relatório da Comissão Europeia sobre o estado da união da energia. Um debate em que participei ativamente e que se realizou num contexto muito diferente daqueles que se realizaram em anos anteriores.

 

O Estado global da União, face ao choque pandémico, exige que coloquemos todas as políticas e ferramentas ao serviço da recuperação e da resiliência.

 

Foi nesse enquadramento que a Comissão analisou os diferentes Programas Nacionais de Energia e Clima (PNECs), tendo avaliado positivamente os resultados e concluído que deles decorre uma determinação conjunta da grande maioria dos 27 Estados membros em afirmar a liderança verde da União Europeia, no combate às alterações climáticas e na transição para um modelo económico e social mais sustentável.

 

"(...) alguns indicadores foram positivamente beneficiados pela quebra de atividade económica e social provocada pelo COVID19, mas aquele em que a evolução estrutural é menos consistente na União e em Portugal, é o aumento da eficiência energética".

Tendo integrado a equipa de negociação do Regulamento da Governação da União da Energia, é com satisfação que constato esta avaliação positiva. As metas definidas para 2030, quer para a redução de emissões, quer para a incorporação de energias renováveis, quer para o aumento da eficiência energética, continuam ao nosso alcance e podem mesmo, com a aceleração tecnológica serem mais ambiciosas. Mais difícil será cumprir as metas de interconexão, o que exige uma resposta política e técnica forte e urgente.

 

Obviamente que alguns indicadores foram positivamente beneficiados pela quebra de atividade económica e social provocada pelo COVID19, mas aquele em que a evolução estrutural é menos consistente na União e em Portugal, é o aumento da eficiência energética. Havendo recursos para investir neste domínio, é preciso reforçar a aposta tecnológica e comportamental e adequaros incentivos aos objetivos pretendidos.

 

Sem perder de vista as metas, as circunstâncias recomendam que a União Europeia e os estados membros se foquem agora sobretudo no processo e no seu impacto para ajudar a sair da crise. Em garantir energia limpa a preços mais baixos para as empresas e as famílias. Em reduzir substancialmente a pobreza energética. Em apostar em novos modelos de distribuição e armazenamento e em novas tecnologias, como o hidrogénio verde, que permitam envolver todos os setores no pacto ecológico e reforçar o mercado único da energia.

 

Foi este caminho que defendi no Plenário do PE e que pressenti, tem o apoio maioritário dos representantes eleitos dos povos europeus.

 

 

Carlos Zorrinho, 61 anos, é casado e tem dois filhos. Doutorado em Gestão da Informação é Professor Catedrático do Departamento de Gestão da Universidade de Évora. Exerceu várias funções académicas e governativas e foi Deputado à Assembleia da República na VII, VIII, IX, XI e XII Legislaturas. É Deputado no Parlamento Europeu, Presidente da Delegação do PS, membro das comissões de Indústria, Investigação e Energia e de Desenvolvimento e Presidente da Delegação ACP (África, Caraíbas e Pacífico).

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