COP26: Angela Merkel defende generalização de preço para emissões de dióxido de carbono

02.11.2021

A chanceler alemã, Angela Merkel, defende que generalizar a outros países do mundo, além da União Europeia, a fixação de um preço para as emissões de dióxido de carbono é a melhor maneira de garantir que as indústrias e atividades económicas se empenham em atingir a neutralidade carbónica, salientando ainda que acabar com o uso de combustíveis fósseis como o carvão para produção de energia não depende apenas da ação dos governos.

 

Angela Merkel falava na Cimeira de Líderes Mundiais no âmbito da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26).

 

Recorde-se que vigora na União Europeia o regime de comércio de licenças de emissão (CELE), que consiste num mecanismo de regulação das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) nas atividades responsáveis por cerca de 45% das emissões. As licenças de emissão são habitualmente obtidas através de leilão e cada uma delas permite a emissão de uma tonelada de dióxido de carbono equivalente durante determinado período de tempo. Estas licenças podem ainda ser vendidas, para que outras empresas as utilizem, ou serem usadas para cobrir necessidades futuras, no caso de empresas que reduzam as suas emissões . Em Portugal, o Governo aprovou em setembro o mecanismo de compensação dos custos indiretos de Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE), que vai apoiar com um montante total de 25 milhões de euros a indústria eletrointensiva, beneficiando um universo estimado de 28 instalações.

 

É preciso, "mudar a maneira de fazer negócios" e caminhar para uma "transformação abrangente" que encoraje a passagem para "mobilidade e processos industriais sem emissões carbónicas". De acordo a chanceler, estamos numa "década decisiva" para esta taxação das emissões, defendendo "mais ambição no desenvolvimento de instrumentos globais que façam sentido economicamente e não sirvam apenas para gastar o dinheiro dos contribuintes". Quanto ao Acordo de Paris, Angela Merkel afirmou que "as contribuições determinadas nacionalmente não nos colocam onde concordámos estar em Paris e a comunidade internacional espera de nós que estejamos em melhores condições" no fim da cimeira que decorre até 12 de novembro, frisou Angela Merkel.

A chanceler alemã frisou anda durante o seu discurso que os países mais desenvolvidos têm "uma responsabilidade especial" em fazer com que isso aconteça.

 

Brasil quer reduzir em 50% emissão de GEE e neutralizar emissões de carbono

 

Durante a COP26, em que o Brasil participou à distência, o Presidente e o ministro do Ambiente brasileiros anunciaram o objetivo climático de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa do país para a atmosfera em 50% e de neutralizar as emissões de carbono até 2050.

 

“Apresentamos hoje um novo objetivo climático, mais ambicioso, que vai de 43% a 50% (redução) até 2030 e neutralidade de carbono até 2050, que será formalizado durante a COP26”, disse o ministro do Ambiente brasileiro, Joaquim Leite, numa emissão em direto de Brasília, durante um evento paralelo na cimeira climática.

 

Índia: terceiro maior poluidor mundial neutra em emissões em 2070

 

A Índia, que é o terceiro país mais poluidor do mundo, atingirá a neutralidade carbónica em 2070, anunciou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reduzindo até 2030 as suas emissões poluentes em mil milhões de toneladas.

 

Acrescentou que o país aumentará até 2030 a sua capacidade de produção de energia a partir de fontes renováveis para 500 gigawatts, conseguindo assim satisfazer 50% das suas necessidades energéticas sem utilizar combustíveis fósseis.

 

Também em 2030, a Índia, responsável por 5% das emissões de gases com efeito de estufa, reduzirá em 45% a dependência de carbono da sua atividade económica, indicou Narendra Modi.

TAGS: Angela Merkel , COP26 , dióxido de carbono , neutralidade carbónica , CELE
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