Colunista Helena Leitão de Barros (Angola): A responsabilidade partilhada na gestão de resíduos

21.01.2020

A gestão dos resíduos constitui um grande desafio para a população Angolana. Toda a sociedade tem de ser envolvida e todos têm de reconhecer a sua responsabilidade e a importância do seu papel em prol de uma adequada e sustentada gestão dos resíduos, sendo que as campanhas de sensibilização que têm sido desenvolvidas, nomeadamente ao nível da limpeza das praias, valas e áreas urbanas têm-se traduzido num pequeno, mas importante, passo para este desafio.

 

No passado mês de Novembro foi realizada, na praia da Mabunda, mais uma campanha de limpeza de praias, sobre o lema “Meu resíduo, Minha responsabilidade”, uma iniciativa global da União Europeia, para a sustentabilidade da orla marítima. 

 

Muitas campanhas de limpeza têm sido realizadas em Angola, tendo as Organizações Não Governamentais desempenhado um papel fundamental na sua dinamização, encontrando-se já previstas mais actividades para 2020.

 

Em Angola, o problema dos resíduos é uma questão muito importante, não só no meio urbano, mas também na orla marítima. A deposição dos resíduos nos contentores em meio urbano e periurbano faz-se a qualquer hora do dia, os contentores não são suficientes e a população deposita os seus resíduos na proximidade dos contentores, ou em outros locais indicados para o efeito que, em certas cidades, são indicados pelos os sobas (autoridades tradicionais).

 

Toda a sociedade deve ser sensibilizada para a correcta deposição dos resíduos, nomeadamente através de informação sobre os potenciais problemas de saúde pública causados pela sua deposição indevida, e para a possibilidade de valorização/reciclagem dos seus resíduos, nomeadamente através da reciclagem criativa. Esta sensibilização deverá ser transversal a todas as várias faixas etárias da população, mas também a todos os sectores de actividade, entidades com especial incidência nas áreas com maiores responsabilidades em termos da produção de resíduos.

 

Na Europa, a campanhas de sensibilização e educação ambiental destinadas à população em idade escolar têm contribuído para a alteração de comportamentos, promovendo a deposição selectiva dos resíduos e facilitando a transmissão da mensagem as seus pais, alterando hábitos instituídos.

 

Em Angola, onde existe um grande respeito pelo “mais velho”, e onde a experiência é sinal de respeito e exemplo, a aposta terá de ser feita também na população mais idosas e com influência nos bairros, para que a mensagem para alteração de comportamentos seja mais facilmente transmitida e bem recebida por todos.

 

A educação e sensibilização na área dos resíduos é um enorme desafio em Angola, apesar do muito que se tem feito, muito ainda há a fazer. Paralelamente, há que criar condições para que as pessoas, com a alteração do seu comportamento, vejam e sintam uma melhoria significativa no seu quotidiano, nomeadamente ao nível da limpeza das ruas e das condições de higiene pública.

 

A responsabilidade dos resíduos deverá ser partilhada por todos, pois cada um, com as suas funções, deverá estar capacitado e ter meios para contribuir para um ambiente mais saudável e melhor para todos. 

 

Para a capacitação, educação e sensibilização chegar a toda a sociedade são necessários recursos financeiros e formar formadores, de forma a que sejam transmitidas e assimiladas as mensagens por todos: população em geral, de técnicos da administração pública, empresários.  A chave para a gestão de resíduos é a responsabilidade partilhada.

 

Helena Leitão de Barros, consultora  ambiental e social com larga experiência em Portugal, Angola e Cabo Verde, trabalhou em várias empresas portuguesas, angolanas e multinacionais, em especial nas áreas de avaliação de impactes ambientais e gestão ambiental. Em Angola foi Team Leader  Resident  para a componente Ambiental e Social do Programa Multisectorial de Emergência e Reabilitação, coordenado pelo Ministério do Planeamento e financiado pelo Banco Mundial (2007-2011). Em Cabo Verde trabalhou como Especialista de Campanha Ambiental e Social (Internacional) (2015- 2016)  no Projecto de Desenvolvimento do Abastecimento de Água na Ilha de Santiago, financiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão. É Mestre em Transportes, pelo Instituto Superior Técnico, Universidade Técnica de Lisboa e licenciada em Planeamento Regional e Urbano, pela Universidade de Aveiro. Foi docente do ensino superior em Portugal na Escola Náutica Infante D. Henrique (2001 a 2007) e em Angola na Universidade Independente de Angola (2009-2013).

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