Racionamento de água em empreendimentos turísticos no Algarve entre as novas medidas de combate à seca

25.07.2022

O Governo aprovou esta sexta-feira novas medidas de combate à seca, que contemplam redução de consumos em empreendimentos turísticos no Algarve e obras em albufeiras em Trás-os-Montes, anunciaram os ministros do Ambiente e da Agricultura.


Com o país a viver uma situação de “seca hidrológica que é talvez a mais grave deste século”, disse o ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, as medidas anunciadas seguem-se a outras 78 já tomadas nas reuniões que se realizam desde 01 de fevereiro da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca (CPPMAES).


Após a reunião, a 10.ª, Duarte Cordeiro precisou que as novas medidas, além da redução de consumos em empreendimentos turísticos no Algarve, contemplam, para Trás-os-Montes, uma obra de ligação ao sistema do Alto Rabagão ao Sistema do Arcossó, o prolongamento do Pinhão ao sistema adutor de Vila Chã, e a reativação da captação de Camba para redução do volume captado na albufeira de Sambade.


Duarte Cordeiro disse que das 31 albufeiras para fins múltiplos em situação crítica que estão em vigilância 10 mantiveram o volume armazenado e apenas duas reduziram o armazenamento em mais de 5% desde a última reunião, a 21 de junho.


A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, disse também que em relação ao mês passado a situação não se alterou nas 44 albufeiras hidroagrícolas: 37 delas asseguram a campanha de rega e sete têm limitações.


Maria do Céu Antunes disse esta sexta-feira que foi aberto um aviso de 24,5 milhões de euros para que agricultores se possam candidatar para instalarem sistemas de precisão e ter um uso mais eficiente da água.


“Até final do mês disponibilizaremos recursos financeiros na casa dos 30 milhões de euros para melhorar a eficiência hídrica no aproveitamento hidroagrícola do Mira, com a construção de uma nova estação elevatória e com a reabilitação de todo o canal principal, que inclui a colocação de painéis fotovoltaicos para evitar a evapotranspiração e permitir que o sistema seja sustentável”, disse também a ministra.


Maria do Céu Antunes salientou que Portugal vive uma das piores secas dos últimos 100 anos, que põe em causa a produção agrícola, e congratulou-se por haver planos de contingência para todas as albufeiras hidroagrícolas e um regadio mais eficiente e com interligações entre albufeiras.


A ligação de Alqueva a Monte da Rocha, exemplificou, permite o abastecimento público e algum regadio, e ainda esse ano será deverá ser adjudicada a obra para uma ligação definitiva, disse.


A propósito do uso de águas residuais tratadas a ministra disse que em Alqueva estuda-se a rega de romãzeiras com essas águas, e que também se está a estudar o uso dessas águas em Loures e no Alvor. Há também experiências de produzir arroz com rega gota a gota, o que reduz em 50% o uso da água, adiantou a ministra.


As águas residuais tratadas, disse o ministro do Ambiente, entre outras aplicações podem ser usadas no combate aos incêndios e também para a produção de energia.


Sobre a redução de consumos de água no turismo algarvio o ministro explicou que houve uma reunião entre a Agência Portuguesa do Ambiente e um conjunto de empreendimentos turísticos do Algarve, na qual se negociou uma limitação do uso de água, nomeadamente para espaços verdes e campos de golfe.


Duarte Cordeiro enfatizou a necessidade de os portugueses pouparem água, lembrando que este é o quinto ano com precipitação abaixo da média, mas garantiu que não está prevista qualquer restrição de água para consumo humano.


O ministro realçou ainda o lançamento de uma campana de sensibilização para a poupança de água, na qual se diz que uma torneira aberta um minuto gasta 12 litros de água, o que se for multiplicado por 10 milhões de pessoas dá 120 milhões de litros, o suficiente para as necessidades básicas diárias de um milhão de pessoas.

TAGS: água , seca , Algarve , combate à seca
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