Remoção de resíduos de S. Pedro da Cova “emperrou mais uma vez", critica PCP/Gondomar

10.05.2022

O PCP/Gondomar criticou esta segunda-feira a demora na remoção total dos resíduos perigosos depositados em São Pedro da Cova, no concelho de Gondomar, apontando que um processo que conta já com mais de 20 anos "emperrou mais uma vez".

 

No final de março, a empreitada de remoção de resíduos perigosos, que estava prevista terminar nesse mês, parou. No local, o estaleiro foi praticamente desmontado e encerrado (...). Mais uma vez este processo, que conta já com mais de 20 anos, emperra, levantando legítimas preocupações sobre a sua retoma e desfecho", lê-se num comunicado enviado à agência Lusa.

 

No texto, o PCP de Gondomar recorda que ao "longo de quase 25 anos" tem "insistido na necessidade de resolução do problema", e exige "remoção dos resíduos, apuramento de responsabilidades, requalificação da zona e compensação da população": "A população de Gondomar, e em particular das freguesias afetadas, merecem melhor, merecem verdade e exigem soluções", resume a comissão concelhia comunista.

 

No mesmo texto, aquele partido faz críticas à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Os comunistas também criticam a Câmara Municipal de Gondomar e a Junta de Freguesia de São Pedro da Cova.

 

"O PCP lamenta a passividade do PS/Marco Martins, na Câmara Municipal de Gondomar [CMG], e PS/Sofia Martins na Junta da União de Freguesias face a esta situação e considera inaceitável que, enquanto proclamavam que a remoção dos resíduos perigosos era uma questão do passado, omitiam mais um adiamento. Como sempre, quando a notícia é má, o presidente da CMG remete-se ao silêncio, enquanto a presidente de Junta defrauda os seus fregueses e finge não existir sequer problema", lê-se no comunicado.

 

A agência Lusa solicitou um ponto de situação junto da CCDR-N e aguarda resposta. Já os autarcas socialistas da Câmara de Gondomar e da Junta de São Pedro da Cova/Fânzeres não quiseram comentar.

 

A 25 de fevereiro, a CCDR-N anunciou que os trabalhos de remoção dos resíduos perigosos depositados nas antigas minas de carvão de São Pedro da Cova seriam prolongados, por terem sido identificadas mais 17 mil toneladas.

 

Em comunicado enviado à Lusa, a CCDR-N adiantou que a proposta de extensão de trabalhos visa a "conclusão em definitivo" da operação de remoção dos resíduos, e a retoma dos trabalhos no local sucederia após visto do Tribunal de Contas.

 

Os resíduos perigosos entretanto identificados estão situados "em depressões do terreno com área e profundidade apreciáveis ou relativas a vários maciços ferrosos (também contaminados), com densidade cerca de cinco vezes superior à densidade média da massa dos resíduos", especificou a CCDR-N.

 

Para levar a cabo a extensão da empreitada, o Governo, através de uma resolução do Conselho de Ministros publicada a 27 de janeiro no Diário da República, autorizou a dotação de dois milhões de euros.

 

A remoção destes resíduos naquela freguesia do concelho de Gondomar, distrito do Porto, começou em outubro de 2014, mais de 10 anos depois do depósito, numa fase inicial que terminou em maio do ano seguinte, com a retirada das primeiras 105.600 toneladas.

 

Ao longo dos anos, esta situação motivou perguntas e requerimentos de partidos políticos, bem como iniciativas locais como vigílias, concentrações e protestos, e o envio ao primeiro-ministro, António Costa, de milhares de postais com a frase "Remoção total dos resíduos perigosos em São Pedro da Cova já", acompanhada de imagens a simbolizar sinais de perigo.

 

A 26 de novembro do ano passado, em visita ao terreno, o então ministro do Ambiente, Matos Fernandes, garantiu que a operação de remoção dos resíduos perigosos só terminará assim que tudo for retirado.

TAGS: São Pedro da Cova , Gondomar , resíduos , resíduos perigosos
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