Suspensão na atualização da taxa de carbono custa 93 milhões de euros ao Estado

25.10.2021

A suspensão da atualização da taxa de carbono a partir de 1 de janeiro de 2022, para evitar aumentos nos preços dos combustíveis, custará 93 milhões de euros ao Governo, adiantou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. À Lusa, o governante fez questão de esclarecer que a taxa de carbono não foi suspensa, mas que, até ao final de março, terá “o valor que tem este ano”.


“A taxa de carbono tem um valor que está dependente da tonelada de carbono” nos leilões, sendo que, a partir de 01 de janeiro iria fixar-se um valor a partir da média dos três meses anteriores, explicou o ministro. Esta média “era de 23 euros por tonelada”, o que corresponde a uma taxa de carbono de 0,5 cêntimos por litro. “O ano ainda não acabou, mas a nossa expectativa é que se fixe em 43 euros por tonelada”, o que iria aumentar os preços dos combustíveis.


Esta medida, afirmou, custará 93 milhões de euros ao Estado, sendo que as restantes medidas aplicadas aos transportes públicos custam 12 milhões de euros.


Novas medidas para mitigar aumento do preço dos combustíveis


Os táxis e autocarros a operar em Portugal irão receber, como medida de apoio ao aumento dos combustíveis, um 'cheque' de 190 euros e 1.050 euros respetivamente. "Aquilo que está previsto para os autocarros e táxis é um desconto idêntico para aquele que é para os particulares, 10 cêntimos por litro, mas com limites muito diferentes", detalhou, indicando que "para os particulares são 50 litros por mês, para os táxis serão 380 litros por mês e para os autocarros 2.100 litros por mês".


De acordo com Matos Fernandes, "a medida aplica-se durante cinco meses e é paga por uma só vez e à cabeça", ou seja, o Governo vai "transferir para cada táxi 190 euros e para cada autocarro 1.050 euros" para assegurar "que o transporte coletivo e a oferta de transporte público se mantêm, sem necessidade de aumentos de preços provocados pelo aumento dos combustíveis".


A medida vigora entre 1 de novembro e 31 de março, indicou. 


Além disso, indicou Matos Fernandes, o Governo decidiu "majorar em 20% as despesas com combustível que as empresas tiverem em sede de IRC", recordando que esta "é uma medida que aproveita apenas a quem paga IRC, ou seja quem tiver lucros no final do ano fiscal".


Quanto às famílias, estas vão passar a receber, através do IVAucher, 10 cêntimos por litro de combustível até um limite de 50 litros por mês, anunciou hoje o ministro das Finanças, assinalando que a medida vai ser aplicada entre novembro e março.

TAGS: Matos Fernandes , combustíveis , carbono
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