Zero e Ecos pedem critérios mínimos de sustentabilidade para têxteis vendidos na UE

26.04.2021

As organizações ambientalistas Zero e Ecos propuseram “critérios mínimos” de sustentabilidade obrigatórios para os têxteis comercializados na União Europeia, como o fabrico de produtos que “sejam duráveis, facilmente reparáveis” e livres de tóxicos.

 

“Os produtos têxteis têm uma enorme pegada ecológica em todas as fases da sua vida. À medida que mais roupas são produzidas, consumidas e deitadas fora, o modelo linear seguido pela indústria têxtil coloca uma enorme pressão sobre o planeta em recursos, ambiente e clima”, alertam as organizações num comunicado conjunto, citado pela Lusa.

 

Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, em 2017 foram recolhidas cerca de 200 mil toneladas de resíduos têxteis nos contentores do lixo, o que representa cerca de 4% do total de resíduos urbanos produzidos em Portugal.

 

Uma análise em profundidade das etiquetas e normas aplicáveis aos têxteis revela que estes não integram critérios fundamentais para avaliar a sua sustentabilidade, como a durabilidade, a reparabilidade, o potencial de reutilização ou mesmo a redução de libertação de microfibras. Um estudo realizado pela ECOS revelou que “é urgente integrar requisitos mínimos de conceção ecológica nos têxteis, em toda a UE, similares aos existentes para os equipamentos elétricos e eletrónicos”.

 

“Esta intervenção é urgente e tem um enorme potencial de eficácia, uma vez que 80% dos impactos ambientais resultantes dos produtos têxteis são estabelecidos na fase de conceção”, referem as organizações.

 

A Zero e a Ecos defendem que os novos requisitos de design ecológico devem focar-se em “desenhar os produtos e os sistemas para vidas mais longas, informando o consumidor do tempo de vida expectável” e que os artigos devem ser “livres de tóxicos”, assegurando que os seus materiais provêm de “fontes sustentáveis e éticas”. Devem ainda ser desenvolvidas normas sobre a libertação de microfibras e “aplicação da responsabilidade alargada do produtor, que promova prioritariamente a redução e a reutilização, durabilidade, reparação”, acrescentam.

 

Esta proposta visa contribuir para “a transição necessária do atual modelo linear e insustentável”, baseado em compras constantes, tempo de utilização reduzido, para um “modelo circular”, assente em comprar apenas o essencial, na utilização a longo prazo, na venda em segunda mão, e na transformação das fibras recicladas em produtos de qualidade.

 

Os ambientalistas defendem que a Diretiva Resíduos, já transposta para o direito nacional, “representa uma excelente oportunidade para, através da aplicação da responsabilidade alargada do produtor, ser definido um enquadramento que incentive as marcas a investir na durabilidade, reutilização, reparabilidade, não toxicidade, redução da libertação de microfibras e reciclabilidade dos seus produtos e penalize fortemente aquelas que insistam no modelo linear atual”.

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