ZERO aponta "falhanço" de Portugal na reciclagem de todos os resíduos

17.05.2022

No Dia Internacional da Reciclagem, a associação ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável aponta "falhanço" de Portugal na reciclagem de todos os resíduos. Citando dados relativos a 2020, a ZERO indica que 16,1 por cento dos resíduos urbanos produzidos foram enviados para reciclagem, ainda longe da meta de 55% pretendida para 2045. Em 2019, esse número tinha sido de 21%.


O mesmo se passa nos resíduos elétricos e eletrónicos, dos quais 15% foram recolhidos em 2020, menos de um quarto da meta de 65% estabelecida para esse ano.


O barómetro da reciclagem melhora no que se refere a embalagens de pesticidas, com 48,4% de recolha em 2020, ano em que a meta era 55%, e em relação a pilhas, com uma recolha de 29% em 2019 face a uma meta de 45% para 2020.


A ZERO assinala que a taxa de reciclagem de resíduos urbanos desceu 4,9 pontos percentuais em 2020 e aponta que os números "contrariam o discurso oficial de que em ano de pandemia teria havido uma adesão generalizada às práticas de encaminhamento de recicláveis".


A associação ambientalista considera que a "continuação da aposta na recolha seletiva através de ecopontos em vez da recolha porta-a-porta" contribui para explicar a "estagnação, ou mesmo redução" da taxa de reciclagem ao longo de anos.


Afirma ainda que há um "subfinanciamento do sistema de recolha seletiva pelas entidades gestoras de embalagens" o que representa prejuízos anuais de 35 milhões de euros para os municípios, e que as embalagens colocadas no mercado são mais do que as são declaradas: os produtores declaram 16%, mas surgem 27% de embalagens nas caracterizações de resíduos urbanos.


A taxa de gestão de resíduos, acrescenta a ZERO, é "muito reduzida" e não desincentiva o envio para aterro ou queima de materiais que podiam ser reciclados.


No que toca aos resíduos elétricos e eletrónicos, há "um colapso há muito anunciado", com os produtores a subfinanciarem o sistema de gestão - défice anual da ordem dos 50 milhões de euros - e os comerciantes e distribuidores a não cumprirem "a sua obrigação de recolha do equipamento velho na venda do novo", que contribui para o "desvio de frigoríficos para destinos ilegais".


A Zero defende que é preciso um sistema de depósito/retorno, uma "ferramenta essencial" para pôr as pessoas reciclar.

TAGS: ZERO , reciclagem , resíduos , recolha seletiva
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