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Portugal diminui emissões a partir de 2010
Portugal vai começar a baixar as emissões de gases com efeito de estufa a partir de 2010, invertendo a actual tendência de aumento. As conclusões pertencem ao projecto MISP (Estratégias de Mitigação das Alterações Climáticas), apresentadas ontem.
«Os quatro cenários que traçámos mostram que, por volta de 2010, vamos inflectir e reduzir as emissões», refere Ricardo Aguiar, co-autor do projecto, ao AmbienteOnline.
«Esta inversão justifica-se pela chegada do País à maturidade numa série de capítulos, nomeadamente ao nível da estagnação da população, entre os oito e os 10,5 milhões, e à diminuição dos fluxos populacionais das áreas rurais para as zonas urbanas. Por outro lado, há projectos ao nível da eficiência energética e das energias renováveis que também contribuem para essa situação, já que possibilitam ganhos nesta área», acrescenta.
Apesar da visibilidade actual das energias renováveis e do nuclear, a energia fóssil é e será ainda ao longo de várias décadas dominante no panorama energético. No entanto, essa dominância, pelo menos ao nível da geração da electricidade, deverá perder-se já em 2020, de acordo com o trabalho, que contou também com a colaboração de Filipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas.
O projecto concluiu ainda que, por exemplo, a energia nuclear, que foi considerada em dois cenários, não é indispensável para a redução de emissões e defende a utilização do sequestro geológico para manter um ritmo forte e constante de mitigação. O objectivo do projecto MISP, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, procurou construir um modelo de prospectiva para Portugal no médio longo prazo. Trata-se de um modelo integrado de actividade, energia e emissão em 14 sectores, como transportes, serviços, resíduos ou centrais nucleares.