
Emídio Sousa pondera medidas excecionais para os resíduos, que passam pela otimização dos sistemas de valorização energética
O Secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, afirmou esta sexta-feira que está a ser desenhada uma estratégia, juntamente com os Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), para encontrar medidas excecionais a implementar no país, nomeadamente através da otimização dos sistemas de valorização energética, que representam um investimento "elevado", mas "necessário".
"Temos exemplos na Lipor e na Valorsul. Há um consenso sobre a necessidade de otimizar estes sistemas de produção de energia," explicou, enfatizando a importância de encontrar as melhores soluções possíveis".
Emídio Sousa falava durante a inauguração da Unidade de Tratamento Mecânico com Separação Óptica Automática de Biorresíduos, da Tratolixo, realizada esta sexta-feira, em Cascais, durante a qual destacou que os aterros do país estão próximos da sua capacidade máxima e sublinhou a urgência de uma resposta eficaz.
"A nossa estratégia está definida no PERSU 2030, com o objetivo de conter o aumento da produção de resíduos. Estamos a avançar com financiamentos comunitários e a implementação da recolha seletiva obrigatória de biorresíduos, mas precisamos fazer mais," afirmou o secretário de Estado.
Emídio Sousa mencionou a grande preocupação dos SGRU, com quem tem estado a reunir, com o risco iminente de esgotamento dos aterros e a insuficiência das soluções previstas.
Por isso, o secretário de Estado do Ambiente anunciou que nos próximos meses espera receber feedback de todos os SGRU para encontrar respostas de curto e médio prazo. "Isto é uma emergência. As respostas serão articuladas com todos os sistemas de tratamento de resíduos para implementar medidas excecionais" disse.
O secretário de Estado destacou ainda a questão financeira, referindo que os fundos disponíveis no PRR - Plano de Recuperação e Resiliência e no Portugal 2030, cerca de 400 milhões de euros, são insuficientes. "Precisamos estudar outras formas de financiamento e desenhar um plano de ação com os SGRU nos próximos meses," concluiu.
Emídio Sousa garantiu que tem as ideias bem alinhavadas e que pretende "trabalhar internamente com calma" e com os SGRU para desenvolver a estratégia final, que será divulgada em breve.
TRATOLIXO inaugura Unidade de Tratamento Mecânico com Separação Óptica Automática de Biorresíduos em Cascais
A TRATOLIXO inaugurou esta sexta-feira a nova Unidade de Tratamento Mecânico com Separação Óptica Automática de Sacos com Biorresíduos, no Ecoparque de Trajouce, em Cascais, uma instalação "única e disruptiva" no país, como sublinhou Nuno Soares, presidente do Conselho de Administração da Tratolixo, e que vai permitir tratar 100% dos resíduos urbanos indiferenciados recolhidos.
Com um investimento de 5 milhões de euros, financiado em grande parte pelo POSEUR, a nova unidade tem a capacidade de processar 300 mil toneladas de resíduos por ano, duplicando, assim, a capacidade de tratamento existente.
Esta unidade de última geração é parte de um projeto conjunto de 10 milhões de euros que também inclui uma nova portaria operacional e a expansão da Central de Digestão Anaeróbia. A nova instalação é projetada para recuperar os sacos verdes que contêm biorresíduos alimentares, que são separados pelos residentes de Cascais, Oeiras, Mafra e Sintra, municípios da área de abrangência da Tratolixo.
Este é um passo "crucial para reduzir a quantidade de resíduos enviados para aterros e permite que a TRATOLIXO trate todos os biorresíduos produzidos nesses municípios", sublinhou Nuno Soares.
Os biorresíduos recolhidos são enviados para a Central de Digestão Anaeróbia, em Mafra, onde são transformados em biogás e lama digerida. O biogás é convertido em energia elétrica e injetado na Rede Elétrica Nacional, enquanto a lama digerida é estabilizada por compostagem, resultando num composto que pode ser utilizado em cultivos agrícolas. A expansão da CDA aumentou a sua capacidade de tratamento biológico de 80 para 120 mil toneladas por ano, um aumento de 50%.
A nova unidade é vista como um passo estratégico para evitar o desperdício de biorresíduos e aumentar as taxas de reaproveitamento e reciclagem, permitindo à TRATOLIXO aumentar a sua produção de biogás e energia elétrica, bem como a produção de um composto orgânico de alta qualidade para uso na agricultura.
A inauguração da nova unidade ocorreu no mesmo dia em que a TRATOLIXO completa 35 anos de atividade. "
"A unidade é única no país, permitindo o tratamento de 100% dos resíduos que chegam de forma indiferenciada dos municípios atendidos pela TRATOLIXO. A grande novidade é a capacidade de separar automaticamente, com a ajuda de leitores ópticos, os sacos verdes usados pelos residentes desses municípios para depositar restos alimentares. Isso permite a valorização dos biorresíduos, produzindo um composto para uso na agricultura, e biogás para geração de energia elétrica", reforça Nuno Soares.
A redução dos impactos ambientais são significativos, com economia de combustível (850 mil litros por ano), redução de emissões de dióxido de carbono (mais de dois milhões de quilos por ano).
A TRATOLIXO já injeta na rede energia elétrica suficiente para abastecer cerca de 15 mil pessoas. A expectativa é de que, com o aumento da recolha seletiva, a produção de energia elétrica possa chegar a 30 GW/ano, suficiente para abastecer cerca de 23 mil pessoas continuamente.
Os números de 2023 mostram um aumento de 10% na recolha de biorresíduos pela TRATOLIXO, atingindo 35% da meta prevista para 2030.
A obrigatoriedade da recolha seletiva de biorresíduos começou em 2024, com 40% da população abrangida, mas o serviço já está disponível em 100% do território dos quatro concelhos. Ainda há margem para crescimento, e a expectativa é de atingir as metas para 2030, concluiu o presidente do Conselho de Administração da TRATOLIXO.