
Relatório identifica empresas portuguesas entre importadoras de madeira ilegal
Duas empresas portuguesas estão entre 15 companhias europeias que terão importado madeira exótica brasileira resultante da desflorestação ilegal da Amazónia, revelou hoje a organização não-governamental norte-americana Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês), citada pela Lusa.
A madeira, de diferentes variedades mas sobretudo da espécie Ipê, valorizada pela durabilidade em pavimentos exteriores de luxo ('decking'), estará a ser extraída de áreas não autorizadas em florestas tropicais e comercializada usando referências falsas para contornar os controlos oficiais.
A EIA critica as empresas importadoras, europeias e norte-americanas, de não fazerem as devidas diligências para se assegurarem de que a origem da madeira é legítima, pois a maioria das serrações e empresas exportadoras brasileiras envolvidas já tinham cadastro por cometer irregularidades.
"Elas não fizeram a diligência suficiente para eliminar o risco da origem ilegal dessa madeira que eles importaram para cumprir a legislação da União Europeia, que proíbe a importação de madeira ilegal", acusou um dos autores do relatório hoje publicado, Christopher Moye, em declarações à agência Lusa.
Segundo este ativista, está disponível na Internet de forma aberta toda a informação sobre a origem da madeira, os embargos em vigor sobre certas áreas decretados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e as multas aos exportadores aplicadas pelo Ibama.
A investigação da EIA, em colaboração com o Centro de Análise de Crimes Climáticos (CCCA), centrou-se no Estado do Pará, norte do Brasil, onde descobriu práticas criminosas relacionadas com madeira proveniente de densas florestas tropicais protegidas.
O relatório identifica cerca de 19 serrações, 16 exportadores brasileiros e 30 importadores norte-americanos e europeus nas cadeias de abastecimento em causa, incluindo as portuguesas Lumber Unipessoal e Playmade Comércio de Madeiras. Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Países Baixos foram os outros países europeus com empresas alegadamente comprometidas.
O gerente da Lumber, Gabriel Torres da Costa, disse à Lusa que os seus "processos são escrutinados pelos órgãos nacionais (ICNF) que cada vez mais tem sido ativos no seu papel de controlo às importações de madeiras" e que a empresa tem "uma política de compra de madeiras bem definida e um guião de ética claro".
O responsável garantiu que a empresa implementou "políticas de compra cada vez mais restritas" que os "levaram a reduzir o número de fornecedores, reduzir e área de intervenção e excluir portos de embarque" para mitigar o risco de comprar madeira de origem ilegal.