
Trinta por cento das massas de água sem dados de monitorização
O estado das massas de água em Portugal “é mal conhecido”, salientou Adérito Mendes, especialista em recursos hídricos, na sessão da 9ª Expo Conferência da Água dedicada à protecção do ambiente e à melhoria da qualidade das massas de água. Segundo os dados mais recentes publicados pela Agência Portuguesa do Ambiente, não existem dados de monitorização para quase 30 por cento das massas de água “o que constitui uma infracção grave” a nível europeu no que respeita à implementação dos Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH), salientou o ex-director do Departamento de Planeamento de Gestão do Domínio Hídrico do antigo Instituto da Água.
“Só se gere bem aquilo que se conhece”, acrescentou Adérito Mendes, considerando que a caracterização do estado actual das massas de água em Portugal pode ser “optimista” por se basear em “análises periciais”. Neste âmbito, defendeu uma recolha sistemática de dados não apenas por parte do Estado, mas também por outras entidades, associadas ao uso deste recurso.
O especialista salientou ainda que, entre 2005 e 2010, a qualidade das massas de água “pouco melhorou” e que mais de 40 por cento apresenta uma qualidade “abaixo do aceitável”. De acordo com a Directiva-Quadro da Água, Portugal tem de assegurar uma boa qualidade ecológica das massas de água até 2015. No entanto, a publicação da primeira geração de PGRH contempla a prorrogação deste prazo para 2021 e 2027 para uma quantidade significativa de massas de água.
Já durante a fase de debate, foi proposto que a Agência Portuguesa do Ambiente – que absorveu o Instituto da Água nesta legislatura – integrasse no seu sistema de monitorização os dados de qualidade das águas superficiais recolhidos pelas entidades gestoras de serviços de águas. A falta de acesso a dados de monitorização já existentes, mesmo para efeitos de investigação, foi salientada igualmente por participantes e oradores.