Nova central de valorização energética no Algarve é solução mais “apropriada”, diz Secretário de Estado do Ambiente
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Nova central de valorização energética no Algarve é solução mais “apropriada”, diz Secretário de Estado do Ambiente

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A construção de uma nova central de valorização energética no Algarve é considerada a solução "mais apropriada", ao invés de se ter de transportar os resíduos para a região de Lisboa, afirmou o secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, em declarações ao Água&Ambiente Online. O governante defendeu que "andar com os resíduos e transportá-los a centenas de quilómetros também tem um custo em termos de emissões de carbono muito significativo", reforçando a necessidade de encontrar soluções mais sustentáveis. O governante falava ao Água&Ambiente Online à margem da inauguração do Centro de Sensibilização Ambiental Transformarium, da ERP Portugal e Novo Verde, que teve lugar esta quinta-feira.

Sobre a estratégia para a valorização energética, o Secretário de Estado destacou que "já temos na LIPOR, já temos na Valorsul", sendo previsível o reforço dessas linhas e a possibilidade de avançar com uma nova unidade na região Centro e, eventualmente, outra no Algarve. "No Centro, há predisposição para a região do Planalto Beirão". Lembre-se que este local já tinha sido avançado pelo Água&Ambiente Online como uma possibilidade em avaliação.

O governante revelou ainda que o grupo de trabalho criado para estudar os resíduos voltará a reunir-se com stakeholders e representantes do setor ainda este mês, prevendo apresentar as suas conclusões em março. "Estamos a preparar o draft final. Eu próprio ainda quero olhar para ele e depois quero voltar a reunir todos os players para perceber se estamos todos de acordo", afirmou.

Nova abordagem ao setor dos resíduos

Durante a inauguração do Centro de Sensibilização Ambiental Transformarium, da ERP Portugal e Novo Verde, Emídio Sousa defendeu também a necessidade de repensar a abordagem ao setor dos resíduos e mudar a linguagem utilizada. "Vamos deixar de falar em aterros e passar a falar em indústrias de recuperação de materiais", disse, reforçando que estas instalações podem constituir uma oportunidade de desenvolvimento económico, com empregos qualificados na engenharia e na recuperação de materiais.

O Secretário de Estado destacou ainda a importância da educação ambiental, lembrando o investimento de 20 milhões de euros em campanhas de sensibilização para melhorar o desempenho do país na gestão de resíduos. "A nossa cultura latina tem um problema: o que é comum não é de ninguém. Temos de mudar isso", alertou.

Mudanças na legislação dos REEE

No seu discurso, Ricardo Neto, presidente da ERP Portugal e da Novo Verde, ressaltou as limitações impostas pela legislação na triagem de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos (REEE). "Ao contrário do Transformarium, o nosso centro de recolha não está capacitado com automatismos ou sistemas de triagem automática, pois a lei veda-nos totalmente a utilização desses dispositivos", afirmou, defendendo que "a legislação deveria ser ajustada aos tempos e à tecnologia disponível".

O responsável alertou para a necessidade de revisão do Unilex e do RGGR – Regime Geral de Gestão de Resíduos para permitir melhores condições de gestão dos REEE e promover o desenvolvimento de redes de recolha própria, algo essencial para cumprir as metas de reciclagem.

Urgência na gestão de resíduos nas áreas metropolitanas

Carlos Vieira, diretor-geral dos SMAS Sintra, por sua vez, advertiu para a urgência na gestão de resíduos, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, devido ao esgotamento da capacidade dos aterros. "Nós vamos ter um problema grave daqui a alguns anos", afirmou, salientando que "a valorização energética tem de estar em cima da mesa e deve ser encarada sem dogmas".

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